Carla Carniel/Reuters
Carla Carniel/Reuters

Siron Franco presta tributo às vítimas da pandemia

Artista goiano é autor da instalação 'Renascimento', que pode ser vista na Avenida Paulista

Antonio Gonçalves Filho, O Estado de S. Paulo

17 de janeiro de 2022 | 19h53

Montada desde o último sábado na Avenida Paulista, a instalação Renascimento, do artista goiano Siron Franco, presta homenagem, por meio de 365 manequins suspensos a seis metros de altura, às vítimas da pandemia covid-19 e aos profissionais de saúde. Na verdade, o título da obra seria Ressurreição, referência ao episódio do Novo Testamento, mas, em comum acordo com os organizadores da mostra, Siron Franco concordou com o título Renascimento. A mostra é uma parceria da Casa das Rosas, que cedeu seu jardim externo para a instalação, com o Museu da Imagem e do Som, também um equipamento da Secretaria e Economia Criativa do Estado de São Paulo.

“Bem no início da pandemia, tirei um manequim para limpar em meu ateliê de Aparecida de Goiânia e pendurei num varal a alguns metros de altura”, conta Siron. “O número de vítimas da covid-19 foi aumentando e surgiu a ideia dessa instalação para criticar o negacionismo de pessoas avessas à vacinação”.  A instalação, ainda segundo o artista, sugere a imagem de uma população que “flutua”, projetando sombras conforme a incidência da luz solar. Mais conhecido como pintor, o artista considera Renascimento mais como uma “pintura flutuante’, em que os personagens encapuzados “interrogam” o espectador. O número de manequins corresponde a cada dia do ano e é carregado de simbolismo.

Os bonecos representam, segundo ele, “os que se foram, bradando pela união da pessoas”. Siron acredita que a solidariedade cresceu durante a pandemia, mas ainda é insuficiente. “Temos de ser mais solidários, é uma tragédia sanitária agravada pelo desemprego de 14 milhões de pessoas” no Brasil.

Siron Franco já produziu no passado obras que comentam tragédias que afetaram os brasileiros, entre elas a série de pinturas e esculturas feita em 1987, logo que aconteceu o histórico acidente radioativo com o césio 137 em Goiânia. Em outubro daquele ano, um catador de sucata em Goiânia encontrou uma máquina de raio X abandonada em um terreno baldio na rua 57 e, ao abrir parte dela, encontrou uma cápsula de césio 137, substância altamente radioativa. “As pessoas do lugar e o próprio bairro ficaram estigmatizados”, lembra o artista. 

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