Sinfônicas se espalham pelo Oriente Médio

Reportagem da BBC Music Magazine foi ao Qatar acompanhar planos para a criação de orquestras

João Luiz Sampaio, O Estadao de S.Paulo

10 Agosto 2008 | 00h00

A BBC Music Magazine traz um pequeno artigo em sua edição de agosto sobre a "invasão da música clássica" no Oriente Médio. Segundo o texto, com a abertura cada vez maior para o Ocidente, países como Qatar, Emirados Árabes e Bahrain estão se mobilizando para construir salas de concerto - e orquestras e conjuntos musicais que possam ocupá-las. A história, claro, pode bem servir como microcosmos da relação Ocidente/Oriente, do embate, ou tentativa de diálogo, entre culturas. Mas, enquanto no resto do mundo as orquestras e teatros de ópera se descabelam em busca de soluções para ameaças como a falta de verba - e de público - não deixa de ser interessante observar a maneira como se dá o surgimento de um cenário musical, praticamente do zero.A Qatar Symphony fez recentemente concerto, acompanhado pela reportagem da revista, que tinha na platéia o próprio Emir e sua família e um programa que, entre outras obras, contava com a estréia de uma sinfonia de Salem Abdul-Karem, compositor iraquiano. Em entrevista, ele disse que seu sonho seria ouvir suas obras interpretadas por orquestras como as sinfônicas da BBC ou de Chicago. Isso, garante, legitimaria não apenas seu trabalho como também a vida musical de seu país. Legitimação parece ser, aliás, a palavra de ordem: a Fundação Qatar está montando uma nova Sinfônica do Qatar, trazendo músicos de todo o mundo, com o objetivo de competir no mercado internacional. Dinheiro, claro, não é um problema.Se a experiência dos últimos anos ensina alguma coisa, no entanto, é que a legitimidade que de fato conta é aquela da sociedade em que uma orquestra está inserida. Se a globalização, econômica ao menos, faz soar natural uma Sinfônica da Qatar tocando Beethoven, Brahms, etc., por outro lado faz do valor regional das manifestações algo cada vez mais precioso. Em outras palavras, é o significado que ela tem em sua comunidade, atuando não apenas como opção de entretenimento mas também como meio de formação e de reflexão sobre as próprias questões, que dá sentido completo a uma orquestra sinfônica. O Ocidente demorou um tempo para entender essa lição.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.