Sinfônica de Brasília inclui peças raras em sua temporada

Renovação do repertório é constante no trabalho do maestro Ira Levin que neste ano abre espaço para compositores franceses

Lauro Machado Coelho, O Estadao de S.Paulo

06 de abril de 2009 | 00h00

Onde você imaginaria poder ouvir, ao vivo, peças tão incomuns quanto La Tragédie de Salomé, de Florent Schmitt, a raramente executada Fantasia de Concerto opus 56 de Tchaikóvski, ou a Sinfonia nº 3 Singulière, do sueco Franz Adolf Berwald? Pois isso vai ocorrer este ano durante a temporada de concertos da Sinfônica do Teatro Nacional Cláudio Santoro, de Brasília.A renovação do repertório é constante no trabalho desenvolvido no Brasil pelo maestro Ira Levin, desde os tempos em que esteve, em São Paulo, à frente da Sinfônica do Teatro Municipal. Se, no ano passado, ele trouxe a Brasília revelações como a primeira audição do Kullervo, de Jean Sibelius, em nosso país, este ano não serão menores as realizações importantes, numa temporada que começou em 17 de março com a Sinfonia nº 3 de Gustav Mahler, e se encerra em 15 de dezembro com apresentação em forma de concerto do Hänsel e Gretel de Engelbert Humperdinck.Este é o Ano da França no Brasil e a programação abre espaço para vários autores franceses. Além do poema sinfônico de Florent Schmitt, serão ouvidos o Concerto para Piano de André Jolivet, Istar de Vincent d?Indy, trechos do Roméo et Juliette e de Les Troyens, de Hector Berlioz, La Création du Monde, de Darius Milhaud, Les Djinns e as Variações Sinfônicas de César Franck, e outras obras de Saint-Saëns, Debussy, Dukas e Ravel. Artistas franceses - o pianista Pascal Gallet, a violinista Fanny Clamagirand - virão participar desses concertos, num ano em que Brasília receberá muitos convidados: os maestros Michael Willens, Peter Feranec e, do Brasil, Fábio Mechetti, Gil Jardim, Abel Rocha, Lutero Rodrigues, além de diversos solistas.Um dos mais importantes aniversários deste ano - os 200 anos de nascimento de Félix Mendelssohn - terá destaque especial. Ao longo do ano, o público de Brasília vai ouvir as sinfonias nº 3 Escocesa e nº 5 Reforma, o Concerto nº 2, as aberturas Mar Calmo e Viagem Próspera, A Bela Melusina e Ruy Blas. E no concerto Felix Mendelssohn e Seus Contemporâneos, terá a chance de conhecer a bela Sinfonia nº 1 do dinamarquês Niels Gade, que foi estreada por Mendelssohn na Gewandhaus.Os compositores checos também estarão em alta na temporada de 2009. É muito comum ouvirmos o Moldávia em concerto. Mas é infrequente a oportunidade de ouvir, na sequência, os sete poemas sinfônicos que integram o ciclo Má Vlast (A Minha Pátria), de Bedrich Smetana. Insuficientemente conhecido entre nós, Josef Suk, que foi genro de Dvorák, é o autor do belo Um Conto de Fadas op. 16 que integra um dos programas. E a Bohuslav Martinu, além do Noneto e do Concerto para Oboé, será dedicado um concerto de aniversário, em 1º de dezembro, com Lidice, a Sinfonia nº 1 e o Concerto para Violino, interpretado por Bohuslav Matousek, respeitado violinista da República Checa.Um aspecto a que Brasília dá atenção especial. O Concerto Breve e o Divertimento de Marlos Nobre, o Concerto para Orquestra de José Siqueira, o Concerto Grosso de Cláudio Santoro, o Tributo a Portinari de Guerra Peixe, o Concerto para Violão de Francisco Mignone (com Fábio Zanon), a Sinfonia nº 9 de Santoro e o Concerto nº 2 para Piano de Camargo Guarnieri (com Max Barros, que gravou a série para o selo Naxos) são alguns dos títulos nacionais que fazem da temporada 2009 da OSNTCS uma das mais originais dentre as que estarão sendo realizadas este ano.

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