Sérgio Britto, melhor ator, é aplaudido de pé no Rio

Agradecimento do artista, com 63 anos de carreira e 85 de vida, foi um momento bem comovente na cerimônia da entrega dos troféus aos melhores de 2008

Roberta Pennafort, O Estadao de S.Paulo

12 de março de 2009 | 00h00

"São 63 anos de carreira e 85 de idade", disse Sérgio Britto ao abrir o discurso de agradecimento por seu primeiro Prêmio Shell, pela atuação no espetáculo duplo A Última Gravação de Krapp e Ato Sem Palavras I. "Há peças que eu fiz que eu era indicado para prêmios e não ligava. Esse Beckett eu queria ganhar, porque foi, pra mim, uma coisa nova. Isabel Cavalcanti (a diretora) me reinventou, cobrou tudo de mim, fez um novo Sérgio Britto."O ator foi aplaudido de pé pela plateia de colegas do teatro Oi Casa Grande, onde, na terça-feira à noite, foram entregues os troféus (talvez por causa da crise, este ano a bebida se resumiu a champanhe em tacinhas de plástico, não foram servidas comidinhas e a decoração foi enxuta).Britto fez questão de citar os nomes de seus concorrentes (Fernando Eiras, Marcelo Faria, Leonardo Franco e Rodrigo Pandolfo) e dizer que foi um "páreo duro". "Eu estava com medo", brincou, em meio a uma longa lista de agradecimentos, que incluiu "até a camareira".Ele contou que estava torcendo para Patrícia Selonk, que concorria na categoria atriz, e Ary Coslov, diretor veterano (por Traição). A torcida valeu, e os dois saíram com troféu na mão. Patrícia ficou bastante emocionada. "Eu sou chorona; hoje não será diferente", começou dizendo. "É uma honra ganhar no ano em que o Sérgio Britto ganha como ator." Destaque da peça Inveja dos Anjos, da Armazém Companhia de Teatro, ela compartilhou o Shell com os integrantes do grupo.O diretor artístico da companhia, Paulo de Moraes, venceu pelo texto de Inveja dos Anjos, escrito em parceria com Maurício Arruda Mendonça (a peça era a que tinha mais indicações, em cinco das nove categorias).Não Sobre o Amor levou dois prêmios técnicos: iluminação (Beto Bruel) e cenário (Daniela Thomas). Com 21 musicais no currículo, a dupla Claudio Botelho e Charles Möeller, junta há mais de 15 anos, venceu na categoria especial, "pela expressiva contribuição ao gênero musical no cenário carioca". Beatles Num Céu de Diamantes, deles, ganhou na categoria música - dividiu com outro espetáculo, É Samba na Veia, É Candeia.Möeller aproveitou para homenagear Ida Gomes, atriz do elenco de 7 - O Musical, que morreu no dia 22 de fevereiro, aos 85 anos. Ida também recebeu a homenagem especial do Shell, que, segundo a apresentadora, Beth Goulart, já estava definido antes de sua morte. Seu irmão, Felipe Wagner, e sua sobrinha, Débora Olivieri, ambos atores, receberam o troféu de Ida."Ida soube do prêmio no hospital, convalescendo, e me pediu para fazer um discurso para ela", contou Wagner, que depois lembrou o início da carreira da irmã, como radioatriz da Rádio Nacional, em 1937. "É muito triste subir aqui sem ela", lamentou Débora. O prêmio de figurino foi para Inês Salgado, de O Jardim das Cerejeiras.

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