Sequência é obra assumida da geração de Star Wars

Trekkies, decepcionai-vos! Os protagonistas da nova versão de Star Trek não apenas não são fãs da série que capturou o imaginário do público da ficção científica a partir dos anos 60, mas também são membros da "geração Star Wars". Caberá a Chris Pine, Zachary Quinto e Zoe Saldana comandar a USS Enterprise e perpetuar os nomes de Kirk, Spock e Uhura por, pelo menos, em mais dois filmes. Opção de marketing ou não, não há reverência, nem da produção, da direção ou dos artistas, em relação à série celebrizada pela TV americana NBC a partir de 1966. A "negação" de Star Trek começa pelo diretor, J.J. Abrams. "Não era fã de Star Trek e não tinha ideia de que já havia dez filmes anteriores. Quando soube, pensei: Ai, meu Deus!"Abrams injetou realismo no sangue dos personagens por achar Star Trek falso, "irreal demais", mas manteve a tripulação multirracial e acrescentou pitadas de humor ao enredo. "Achei que desarmaria o público resistente a Star Trek tornando o filme divertido." Parte dessa tarefa coube a atores de uma geração, quase rival, formada por admiradores de Star Wars, de George Lucas. "Sou fã de Star Trek agora. Antes era membro da geração Star Wars." Zoe Saldana foi ainda mais fundo: não via, e não viu Star Trek. "Também era da geração Star Wars. Nunca havia visto a série." Só Eric Bana disse que assistia aos programas de TV na sua infância, na Austrália. "Eu era fã da série, mas nunca vi os filmes", ponderou.O resultado dessa nova química é a coexistência da história já pop com um novo universo, com ar rejuvenescido, destinado a um público jovem, sem ignorar os fã de sempre. Efeitos especiais impecáveis, produzidos (morra de ódio, trekkie!) pelo estúdio Light & Magic, de Lucas, e uma trilha sonora que inclui a fúria de Rage Against the Machine, completam o elixir da juventude. Essa receita tem vida longa. O elenco assinou contrato para dois novos longas, embora a continuação dependa do sucesso da atual. "Se houver uma sequência, será porque temos uma boa história, e não somente para ganharmos dinheiro'', diz Abrams.

Andrei Netto, PARIS, O Estadao de S.Paulo

27 de abril de 2009 | 00h00

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