Paulo Kuczynski Escritório de Arte
Paulo Kuczynski Escritório de Arte

Semana de Arte mostra obras raras dos modernos

Gravuras e aquarelas de Goeldi e obras de Ismael Nery são oferecidas na feira internacional que integra a segunda edição do evento

Antonio Gonçalves Filho, O Estado de S. Paulo

01 Setembro 2018 | 06h00

Obras modernistas icônicas estão quase todas em mãos de grandes colecionadores, mas ainda existem peças raras do período circulando no mercado, em especial na segunda edição da Semana de Arte, que será aberta neste sábado, 1.º, para o público em novo endereço, o Pavilhão das Culturas Brasileiras, no Parque do Ibirapuera. Duas galerias apostaram pesado nos artistas modernos brasileiros: a Bergamin & Gomide e o escritório de arte de Paulo Kuczynski. A primeira exibe obras em papel do gravador, desenhista e ilustrador carioca Oswaldo Goeldi (1895-1961), que, na primeira Bienal de São Paulo (1951), ganhou o prêmio de gravura. O escritório de Kuczynski mostra uma aquarela dos anos 1920 de Ismael Nery (1900-1934), pioneiro da linguagem surrealista no Brasil

Além dos modernistas, Kuczynski foi atrás do artista francês que mais se esforçou para retratar (e entender) a violência e as contradições do Brasil imperial, o neoclássico parisiense Jean-Baptiste Debret (1768-1848). “São 14 aquarelas realizadas em 1827 com paisagens de Curitiba, Sorocaba, São Sebastião e Paraty que pertencem a uma coleção particular formada há 50 anos”, revela o marchand, definindo a feira internacional da Semana de Arte como um evento dirigido especialmente aos colecionadores.

Organizada em torno da feira, a Semana, que vai até dia 3, oferece uma série de atividades culturais. O curador convidado, o mexicano Pablo León de la Barra, é atualmente o responsável pela seção latino-americana do Guggenheim, além de ser curador do MAC Niterói. Sob o comando dos galeristas Luisa Strina e Thiago Gomide e do empresário cultural Emilio Kalil, atual diretor da Fundação Iberê Camargo, o evento conta ainda com a consultoria do curador Ricardo Sardenberg. A feira de artes reúne 43 galerias – brasileiras e estrangeiras – em estandes dispostos sem hierarquia.

A orientação da curadoria aos galeristas foi a de evitar a duplicação de artistas expostos em cada estande. Assim, as galerias exibem mostras de um único artista (caso do projeto especial de Goeldi na Bergamin & Gomide) ou buscam estabelecer uma conexão entre dois ou mais artistas em torno de temas específicos (a galeria Arte 57 mostra obras de cunho político assinadas por artistas mulheres, entre elas Ana Maria Maiolino, Rosana Paulino e Tarsila).

Inaugurada às vésperas da 33.ª edição da Bienal Internacional de São Paulo, a feira da Semana de Arte pretende ser uma vitrine da arte brasileira moderna e contemporânea também para os visitantes estrangeiros, oferecendo, além da exposição de obras, a exibição de documentários sobre artistas pioneiros (como a surrealista Maria Martins), contemporâneos (Leonilson) e arquitetos premiados (Paulo Mendes da Rocha). Palestras organizadas por Sardenberg ajudam a divulgar igualmente a obra de estrangeiros. Hoje, 1.º, às 18 horas, o artista conceitual colombiano Antonio Caro conversa com o curador Pablo León de la Barra sobre sua carreira de meio século.

Os visitantes da feira, no Pavilhão das Culturas Brasileiras, poderão ainda ver uma mostra de arte popular com obras do seu acervo permanente. Entre os artistas selecionados estão Amadeo Lorenzato, Antônio Poteiro e Chico Tabibuia.

SEMANA DE ARTE

Pavilhão das Culturas Brasileiras. Av. Pedro Álvares Cabral, s/nº, 5083-0199. Abre hoje (1º). 12h/20h. R$ 60 e R$ 30. Até 3/9

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