WILTON JUNIOR / ESTADÃO
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Semana de 22 é lembrada em mostra no Rio

Exposição ‘Brasilidade Pós-Modernismo’, no CCBB do Rio, mostra a ressonância do evento nas artes plásticas, nos últimos 100 anos

Marcio Dolzan, O Estado de S. Paulo

07 de setembro de 2021 | 05h00

RIO. Às vésperas do centenário da Semana de Arte Moderna de 1922, uma exposição com obras de 51 artistas convida o público para ver a arte que ela influenciou. O Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) do Rio já abriu as portas para a mostra Brasilidade Pós-Modernismo, que chegará a São Paulo em dezembro.

Dividida em seis núcleos temáticos, a exposição conta com obras de Adriana Varejão, Anna Bella Geiger, Ernesto Neto, Jaider Esbell e outros 47 artistas. Ela ocupa a rotunda e todas as salas do primeiro andar do CCBB. Há peças inéditas e outras que foram produzidas ao longo dos últimos 50 anos. Entre as raras exceções está um quadro de Oscar Niemeyer, pintado pelo arquiteto ainda nos anos 1960.

“Ele pintou na vida apenas duas telas. A exposição tem uma delas”, conta Tereza de Arruda, curadora da mostra. “Ela foi produzida em Paris, quando Niemeyer saiu do País, na época da ditadura. Ele estava extremamente desgostoso com a evolução (dos acontecimentos)”, diz Tereza, citando o quadro que lembra Brasília em ruínas.

As demais obras – são cerca de 130 – foram criadas a partir de 1970. “Escolhi este período porque já tínhamos 50 anos da Semana de Arte Moderna. A intenção era não ficarmos na mesmice e darmos um pulo histórico e cultural”, pontua a curadora. Assim, quem for ao CCBB-RJ até novembro verá o modernismo brasileiro por uma ótica mais atual. “A Semana de 22 foi um marco, mas a modernidade brasileira não aconteceu ali; houve precedentes, e depois continuou esse processo”, lembra Tereza de Arruda.

“São quase cem anos após a Semana de 22 e do bicentenário da Independência do Brasil. É o momento de rever tudo isso que nos foi contado e ensinado. Temos um distanciamento. E, quando se fala em brasilidade, sempre penso na palavra como ‘Brasil com uma certa idade’. Essa maturidade tem que abrir o horizonte.”

A pesquisa para a construção da exposição começou em 2018. “Nesse período todo fizemos tratativas com os artistas. Muitos estão nos entregando obras diretamente do acervo deles, e alguns nós emprestamos de coleções privadas”, explica a curadora.

A mostra foi dividida nos núcleos Liberdade, Futuro, Identidade, Natureza, Estética e Poesia. A iluminação ganha tons diferentes em cada um dos ambientes, tornando tudo mais claro à medida que o visitante for avançando.

Tereza considera que quem for ao CCBB deve reservar pelo menos uma hora e meia para acompanhar a exposição – devido à pandemia, é preciso fazer agendamento prévio. A curadora também sugere que o visitante baixe um aplicativo da mostra, que reúne vídeos de dez artistas gravados diretamente de seus ateliês. Além disso, é importante que cada um leve seu próprio fone de ouvido, a fim de poder acompanhar o audioguia.

Quem visitar Brasilidade Pós-Modernismo já será recepcionado por uma obra com mais de quatro metros suspensa na rotunda do CCBB Rio. Trata-se de uma xilogravura do artista cearense Francisco de Almeida, que desenvolveu uma maneira própria de apresentar a sua arte. “Eu trabalho com uma forma de gravura, de composição, chamada de xilogravura expandida”, diz ele.

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