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Sem saber, homem compra desenho que pode ser de Albrecht Dürer

Especialistas do Museu Britânico acreditam que 'A Virgem e o Menino' é desenho desconhecido do alemão nascido em 1471

Alyssa Lukpat, The New York Times

01 de janeiro de 2022 | 11h44

Em 2016, um homem comprou dois itens durante a venda de uma propriedade em Concord, Massachusetts: um colar falso de jade por 1 dólar e um pequeno desenho da Virgem Maria com o Menino Jesus por 30 dólares.

Ele guardou o desenho em sua casa, onde o mostrou para um convidado ocasional, seu amigo diria mais tarde. Algo no desenho o intrigava, embora ele não soubesse o que. Este mês, um painel de especialistas do Museu Britânico em Londres deu uma resposta impressionante: a obra de arte, intitulada A Virgem e o Menino com uma flor em um banco gramado, era um desenho desconhecido de Albrecht Dürer, um renomado artista alemão nascido em 1471.

O homem, cuja identidade não foi revelada, fez uma das descobertas mais extraordinárias da arte renascentista em anos, disseram os especialistas. O desenho pode valer milhões de dólares.

A declaração de que era uma obra de Dürer – uma avaliação que não é universalmente compartilhada entre os pesquisadores – surgiu como resultado de um encontro casual e dos esforços de um negociante de arte obstinado que acumulou milhares de milhas aéreas procurando uma resposta.

Primeiro, o encontro. O proprietário do desenho era amigo de Brainerd Phillipson, que possui uma loja de livros raros em Holliston, Massachusetts. Em 2019, Clifford Schorer, um empresário e negociante de arte de Boston, parou na loja para comprar um presente de última hora. Eles começaram a conversar sobre arte, e então Phillipson mencionou que seu amigo tinha o que eles pensaram ser um desenho de Dürer, disse Phillipson em uma entrevista esta semana. As iniciais A.D. na parte inferior do desenho eram “um tanto intrigantes”, ele disse.

Observando que os desenhos de Dürer são extremamente raros e que ele achava que todos já estavam contabilizados, Schorer disse a Phillipson: “Como alguém que conhece Albrecht Dürer por dentro e por fora, acho impossível”.

Onze dias depois, o proprietário mandou uma mensagem de texto com fotos da obra para Schorer, que disse ter ido direto para a casa do homem. Schorer sentou-se à mesa da cozinha para olhar a peça. “Era uma obra-prima, a maior falsificação que já tinha visto”, ele disse.

Schorer, que se especializou em recuperar obras de arte perdidas, pagou um adiantamento de 100 mil dólares para vender o desenho. Três dias depois, embarcou em um voo para a Inglaterra para entregar o desenho nas mãos de Jane McAusland, uma conservadora de papel que aconselha museus, negociantes e casas de leilão. 

Três semanas depois de sua visita, McAusland disse a ele que o desenho havia sido manchado com chá ou café para parecer antigo, disse Schorer. Mas ele pediu que ela olhasse novamente, e ela respondeu por e-mail no dia seguinte com uma imagem. Ele clicou na imagem e ela mostrou uma luz translúcida brilhando através do papel.

“Tinha a marca d'água do tridente, que está apenas nos desenhos de Albrecht Dürer”, ele disse. “Minha cabeça explodiu.”

O meio preferido de Dürer era um papel especial feito por seu mecenas, Jacob Fugger, um dos homens mais ricos que já existiram. Apenas a oficina de Dürer tinha acesso a esse papel, que trazia a marca d'água de Fugger, de acordo com Christof Metzger, um especialista em Dürer que estava no painel de especialistas que autenticou o desenho este mês.

Schorer disse que conheceu Metzger, o curador-chefe do Museu Albertina em Viena, em sua viagem por 14 cidades ao redor do mundo para tentar autenticar o desenho. Por mais de dois anos, ele disse, conheceu vários especialistas e todos, exceto um, concordaram que o desenho era um Dürer original. / TRADUÇÃO LÍVIA BUELONI GONÇALVES

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