Segunda parte traz especiais e homenagens

Estado das Coisas, Malle e Saraceni dão sequência ao evento que começou no primeiro semestre

Luiz Carlos Merten, O Estadao de S.Paulo

31 de agosto de 2009 | 00h00

Em abril, no encerramento da 14ª edição do Festival Internacional de Documentários É Tudo Verdade, Amir Labaki comemorava, mais do que o recorde de público, o fato de haver atingido uma de suas proposições. A ideia de dividir o festival em duas partes, primeiro exibindo as mostras competitivas nacional e internacional e deixando para o segundo semestre as sessões especiais como Estado das Coisas (e as homenagens), surgiu um pouco como pressão das dificuldades de patrocínio, mas também favoreceu o que já era uma decisão amadurecida. Com tantas seções - e sessões -, Labaki deu-se conta de que estava podendo exibir os filmes apenas uma vez. Ele queria dar ao público mais de uma chance para ver obras que, muitas vezes, dispõem somente da vitrine do É Tudo Verdade para passar no País. O formato deu certo. Começa hoje a 2ª parte do 14º É Tudo Verdade.Em São Paulo, o festival ocorre na Sala Cinemateca, de hoje até a próxima segunda-feira, dia 7. A abertura paulista, para convidados, é com Praça da República, de Louis Malle. No Rio, de 4 a 12, a sede será o Instituto Moreira Salles e o filme da inauguração, outro de Malle, A Câmera Impossível, primeiro da série A Índia Fantasma. Quem acompanha o É Tudo Verdade, sabe que a mostra Estado das Coisas é a informativa do evento, aquela em que passam os filmes mais diretamente ligados à discussão - e indagação - de temas políticos e sociais. Além dela, o festival presta as homenagem. Há um par de anos, o É Tudo Verdade já celebrou o cinquentenário da reportagem que deu origem ao filme Aruanda, de Linduarte Noronha, considerado uma das pedras de toque do Cinema Novo. Este ano, o homenageado é outro documentário fundamental na eclosão do movimento - Arraial do Cabo, de Paulo César Saraceni (leia ao lado).Só a homenagem a um dos clássicos do Cinema Novo já seria um presentão do 14º É Tudo Verdade para os cinéfilos, mas tem mais - há alguns anos, Amir Labaki participou, como jurado, do Festival Internacional de Documentários de Amsterdã. Do júri também participava Nick Fraser, que dirige a seção de documentários da BBC. Entre uma conversa e outra, Fraser contou que estava exibindo, na TV inglesa, os documentários realizados por Louis Malle. Desde então, trazer ao Brasil a obra documentária de Malle virou questão de honra para Labaki. A maioria do público reconhece Malle como grande diretor de ficção. Precursor da nouvelle vague - com Ascensor para o Cadafalso -, Malle se havia iniciado na direção fazendo, em parceria com Jacques Yves Cousteau, O Mundo do Silêncio, que venceu a Palma de Ouro em Cannes, em 1956.Cineasta do escândalo, possui, entre seus clássicos, filmes polêmicos como Amantes, Zazie no Metrô, 30 Anos Esta Noite, O Ladrão Aventureiro, Lacombe Lucien, Pretty Baby, Adeus, Meninos. "O documentário é o continente submerso da obra de Malle?, afirma Labaki, que exibe dois episódios da série A Índia Fantasma, de 1969, e Humano, Demasiadamente Humano, de 1974. Dois documentários nacionais inéditos vão fazer sensação na mostra O Estado das Coisas - Fordlândia, de Daniel Augusto e Marinho Andrade, reconstitui a história da cidade erguida no Pará, nos anos 20; e Ecos, de Pedro Henrique França e Guilherme Manechini, investiga o até hoje misterioso assassinato de Antônio da Costa Santos, o Toninho do PT, prefeito de Campinas, em 2000. Estado das Coisas põe foco no Irã por meio de três documentários, com destaque para The Queen and I, de Nahid Persson, que entrevista a ex-imperatriz Farah Diba. Nahid foi às ruas pela deposição do Xá, mas seu sonho de liberdade foi atropelado pela república dos aiatolás. Ela teve de se exilar e hoje, em diálogo com a rainha exilada, na verdade fala também sobre sonhos desfeitos e o próprio exílio.Serviço 14.º É Tudo Verdade. Cinemateca. Largo Senador Raul Cardoso, 207, 3512-6111. Grátis. Até 7/9 - www.etudoverdade.com.br. Abertura hoje, 20h30, para convidados

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