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Sarah Thornton fala sobre arte e mercado na SP-Arte

Odiada por Damien Hirst, rei da autopromoção, autora explora em livro os sórdidos bastidores da arte contemporânea

Entrevista com

Sarah Thornton

Antonio Gonçalves Filho, O Estado de S. Paulo

09 de abril de 2015 | 03h00

Autora do best-seller Sete Dias no Mundo da Arte, que revela os bastidores desse universo, a escritora e socióloga canadense Sarah Thornton é convidada especial da 11.ª edição da SP-Arte. Thornton faz uma palestra nesta quinta-feira, 9, às 11h15, no Museu de Arte Moderna (MAM/SP). Sobre seu novo livro, O Que É Um Artista?, lançado pela Editora Zahar, ela falou com o Estado. A obra traz 33 entrevistas com Damien Hirst, Jeff Koons, Ai Weiwei, Marina Abramovic e a brasileira Beatriz Milhazes, entre outros.

A autora é bastante crítica com relação ao modo como alguns deles se relacionam com o mercado. Tanto que o inglês Damien Hirst, mestre na autopromoção, rompeu com ela e tentou barrar sua entrada numa retrospectiva sua. Thornton, porém, não culpa o legado de Duchamp pela onda de cinismo que assola a arte contemporânea. Considerando-se uma “etnógrafa da arte”, ela fez a mesma pergunta a todos os entrevistados: o que é um artista? 

As diferentes respostas que você obteve mostram que é quase impossível ver um artista de modo positivo como Vasari viu no Renascimento. É o efeito do cinismo de nossa era?

Ao contrário de Vasari, não sou hagiógrafa. Isso não significa que sou cínica, mas simplesmente que busco examinar os artistas como pessoas reais, e não mistificá-los como santos. Procuro ser justa, refreando julgamentos sumários.

Artistas como Jeff Koons e Damien Hirst sempre falam de arte como se ela não existisse sem as casas de leilões. Como se sente entrevistando gente como eles?

Meu livro abrange um largo espectro, incluindo artistas que nem têm mercado ou mesmo que são contra ele. Quando um artista só busca o lucro, sua reputação pode ser seriamente prejudicada. Damien Hirst é um exemplo. Acho que Jeff Koons joga de modo mais leve, pensa mais no seu legado. Ambos são personagens complexos com motivação distinta. Se fossem tipos unidimensionais, não atrairiam a atenção global.

O mundo financeiro agora vê a arte como uma alternativa contra a crise e a flutuação da moeda. Esse interesse não pode promover artistas medíocres?

A liquidez do atual mercado permite que cada vez mais artistas vivam exclusivamente de seu trabalho, um dado positivo. Mas, em arte contemporânea, não há correlação entre altos preços e qualidade superlativa da arte. Isso não existe.

Quatro dos artistas do livro não estão vivos, entre eles Duchamp. Você diria que Duchamp é culpado por toda a mistificação que vemos hoje no mercado de arte?

Só porque Duchamp estava à frente de seu tempo não significa que possamos culpá-lo pela era em que vivemos. Uma das coisas que ele entendeu perfeitamente é que os artistas se transformam em marcas. Ele concluiu que o significado da arte não está fechado num objeto colocado num pedestal ou numa moldura, mas que a arte absorve significados externos, o que inclui a persona pública de seu autor. Na verdade, suspeito que ele concordaria com a minha definição de trabalho artístico: ele não é só o objeto, mas tudo o que o artista faz.

O QUE É UM ARTISTA?

Autora: Sarah Thornton

Tradução: Alexandre Barbosa de Souza

Editora: Zahar (448 págs., $59,90 (físico) e R$39,90 (digital))
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