EVELSON DE FREITAS/ESTADÂO
EVELSON DE FREITAS/ESTADÂO

Sarah Morris exibe suas obras inspiradas em São Paulo e no Rio

Artista anglo-americana faz sua primeira mostra individual no Brasil, apresentando série de pinturas abstratas e filme realizado em 2012

Camila Molina, O Estado de S. Paulo

07 de fevereiro de 2015 | 03h00

 Do caminho entre o Jardim Paulista até o centro de São Paulo, a artista Sarah Morris vai fazendo considerações sobre a cidade – tantas grades nos edifícios “falam da história política do Brasil aqui e agora” e os fios e cabos emaranhados pelas ruas, vistos do carro, são “completamente ultrajantes”. “Esse espírito de reaproveitamento e improvisação sempre me arrebatou; essa maneira de reinventar a arquitetura, espaços públicos, propósitos de prédios, me pareceu uma certa liberdade”, diz, até chegar à Galeria do Rock, na Avenida São João. A localidade, visitada por ela “em 2009 ou 2010”, dá agora título a uma de suas pinturas geométricas, criada em 2014, como também à sua primeira exposição individual no Brasil, a ser inaugurada hoje, 7.


“O título da mostra é uma piada interna minha”, afirma Sarah Morris, de 47 anos, que nasceu no Reino Unido, mas prefere ser considerada americana por viver há anos em Nova York. É uma espécie de jogo que se refere ao fato de expor em uma galeria, no caso, no espaço paulistano da britânica White Cube – e relacionar esse fato a uma consideração sobre o mercado – “a arte nunca escapa da commodity”.“A Galeria Rock em São Paulo é um lugar onde todos os interesses esquisitos coexistem e é como se isso não fizesse sentido: Você tem o mundo da arquitetura, o mundo da música, o mundo pop, desenhos gráficos horríveis, tantas coisas diferentes”, diz. “É um grande mercado com diferentes fachadas da sociedade”, completa.


Artista de um discurso engajado – “no meu trabalho, tento não segregar as influências”, Sarah Morris exibe na mostra Galeria do Rock uma série de pinturas abstratas recentes feitas em tinta residencial a óleo e inspiradas em suas passagens pela metrópole paulistana. As obras recebem títulos de outras localidades de São Paulo, como Praça do Patriarca e Avenida Ipiranga, e feitas em composições coloridas de formas geométricas, representam a “essência” de suas experiências. Mas a anglo-americana tem uma forte relação com o Rio de Janeiro também. Sendo assim, ela aproveita a ocasião para expor na White Cube, ainda, algumas telas de referências cariocas (como Posto 9), e exibir, a partir de terça-feira, 10, na Galeria Fortes Vilaça, seu filme Rio, realizado em 2012.

Com quase 89 minutos de duração, a obra cinematográfica, sua 11.ª do gênero, é uma sequência de imagens (sem som ambiente, mas acompanhadas de trilha sonora) que captam o ritmo do cotidiano carioca entre trabalhadores simples, personalidades como Oscar Niemeyer (que aparece como o ator Vincent Price, ela brinca, filmado em seu escritório, sobre uma cadeira de rodas, pouco tempo antes de sua morte) e Danuza Leão, edifícios, menção ao carnaval, paisagens e o mar. “Fui ao Rio muitas vezes, tenho um grupo de amigos brasileiros, e há muito tempo, de fato, sempre me pareceu que havia algo de muito específico na velocidade da cidade”, conta a artista. “Quando falo da improvisação da arquitetura e da aproximação que tive com a cultura daqui, achei que também seria interessante captar isso em um filme”, completa a criadora, que desde os anos 1990 “investiga tipologias urbanas e sociais”.

Sarah Morris participou da 25.ª Bienal de São Paulo sobre as metrópoles, com trabalho sobre Nova York. Para ela, suas obras pictóricas e cinematográficas são “os dois lados de uma mesma moeda”. “Os filmes são um índex de tudo o que quero colocar nas pinturas, tudo o que me inspira e pelo qual quero estar engajada”, considera a anglo-americana, que exibe ainda pôsteres de cinema – entre eles, o de Fitzcarraldo, de Werner Herzog – com suas intervenções.


EM MOSTRA COLETIVA NA WHITE CUBE SÃO PAULO, NOVAS PESQUISAS

Além de Galeria do Rock, de Sarah Morris, a White Cube inaugura hoje a coletiva Até Aqui Tudo Bem, com curadoria de Fernanda Brenner, pintora e diretora do espaço Pivô. “O tema está muito relacionado ao meu pensamento como artista”, diz a curadora, que se baseou na questão da iminência e na metáfora sobre o status das informações tendo como mote o mistério das caixas-pretas dos aviões para conceber a exposição, cujo título é inspirado em filme de Kassovitz. 


Dos participantes, o belga Kris Martin e o polonês Miroslaw Balka são do time da galeria, mas a mostra ainda traz obras dos novos Bernardo Glogowski (destaque para suas pinturas), Daniel Albuquerque, Frederico Fillipi e Rita Vidal. 

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