Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

São Paulo vai ter museus das Favelas e da Cultura Indígena em 2022

Já o Museu da Diversidade Sexual, na Estação República do Metrô, será ampliado, segundo anúncio do governo do Estado

Gilberto Amendola, O Estado de S.Paulo

06 de dezembro de 2021 | 16h06

Combater a invisibilidade e potencializar a energia criativa de setores ainda marginalizados. Esses são os principais objetivos que norteiam a criação do Museu das Favelas e das Culturas Indígenas - bem como a ampliação do Museu da Diversidade Sexual.  

Prometidos para 2022, os novos equipamentos (e a ampliação e modernização do já existente ) foram anunciados nesta segunda-feira, 6,  em  coletiva de imprensa realizada no Palácio dos Bandeirantes. “Onde muitos enxergam carência, enxergamos potência”, afirmou o secretário de Cultura e Economia Criativa do Estado de São Paulo, Sérgio Sá Leitão. O investimento total nos três projetos é de R$ 40 milhões.

 A gestão dos museus será de organizações sociais culturais. A ideia é que cada museu tenha, em seu corpo de colaboradores e funcionários, pessoas oriundas das comunidades que representam." Esses museus estão sendo construídos com as comunidades, com os artistas e criadores destes grupos sociais", falou Sá Leitão.

A coordenação de curadoria dos três museus ficará a cargo de Marcelo Dantas. Segundo Dantas, o papel dele será de criar conexões entre as comunidades e os espaços. "Esses museus visam criar oportunidades, buscar novos talentos nas favelas, nas aldeias indígenas e nas comunidades em geral", disse Dantas.

Museu da Diversidade

O Museu da Diversidade Sexual, que já existe dentro da Estação República do Metrô, receberá um aporte financeiro de R$9 milhões para as obras de ampliação, que vão resultar em um espaço cinco vezes maior do que o atual. Hoje, o equipamento é acanhado, mas com o novo projeto, a área na Estação República do Metrô aumentará de 100 m² a 540 m². Além disso, o museu ganhará um espaço do lado de fora da estação de metrô. Ainda não está definido qual a casa ou terreno ele irá ocupar.

O Museu da Diversidade Sexual existe desde 2012. Durante os últimos anos, imaginou-se que ele poderia ocupar um casarão na Avenida Paulista. O projeto foi abandonado por uma questão de custos e adaptações. Neste casarão da Paulista, futuramente, o governo pretende inaugurar o museu da gastronomia

Com a ampliação do Museu da Diversidade Sexual estão previstos espaços para exposições permanentes e rotativas, centro de referência e documentação e de empreendedorismo, café, restaurante e loja. O início da implantação será em janeiro e a inauguração está marcada para julho de 2022. "Esse é um dia de festa e comemoração e de reconhecimento de direitos. A ampliação e reforma irão trazer mais mais vida para o museu", disse o representante da comunidade LGBTQIA+, Ivan Santos. 

Museu das Favelas

Já o Museu das Favelas será localizado no Palácio de Campos Elísios, na região central da cidade. O espaço terá a parceria da Central Única das Favelas (Cufa) e tem investimento previsto de R$ 15 milhões.

De acordo com o Governo do Estado, o equipamento contará com uma área de 8.208 m², que será dividida em espaços para exposição multimídia interativa de longa duração, exposições temporárias, Centro de Referência (biblioteca digital, auditório, pesquisas, estudos e conferências), Centro de Empreendedorismo (coworking, formação e capacitação, aceleração de startups), eventos, café e loja. A abertura está prevista para junho de 2022.

“A política publica vem sempre acabada para as comunidade. Aqui, o processo é inverso. O protagonismo é de quem está envolvido. Não se trata de um projeto criado dentro de gabinete e imposto para a comunidade. Ao contrário, as comunidades estão sendo ouvidas", disse Preto Zezé, presidente da Cufa.

Cultura indígena

O museu da cultura indígena será instalado no Complexo Baby Barione, ao lado do Parque Água da Branca (na rua Rua Dona Germaine Burchard). O equipamento ficará em um edifício de sete andares, com 200m² cada, totalizando 1.400m² de área total. Haverá espaço para exposições de longa e curta duração, centros de pesquisa e referência, auditório, administrativo e reserva técnica. 

"Isso já é uma demanda antiga do povo indígena. Temos vários artistas indígenas, temos cantores cineastas. A sociedade, às vezes, não nos reconhece, somos invisibilizados. No museu, seremos protagonistas da nossa história", disse a liderança indígena Sonia Ara Mirim.

Com investimento de R$ 14 milhões, o equipamento contará com a parceria do Instituto Maracá e de diversas lideranças indígenas.  A abertura está programada para março de 2022, com uma exposição inaugural em homenagem a Jaider Esbell (1979-2021), artista brasileiro e um ativista dos direitos indígenas, que faleceu, aos 42 anos, no último mês de novembro. 

Na coletiva, o governador João Doria foi perguntado sobre o aceno que a criação de museus poderia representar para os movimentos de centro esquerda em um ano pré-eleitoral (o governador é pré-candidato à Presidência da República). "Nós já temos esse compromisso desde o início do governo. Não é de agora. Agora nós estamos avançando naquilo que representa a expressão cultural dessas comunidades. Nós chamamos de cidadania", comentou Doria.  

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