Gabriela Bilo / Estadão
Gabriela Bilo / Estadão

São Paulo ganha novo centro cultural, com agenda de exposições e cursos

Em frente ao parque Villa-Lobos, Casa do Parque reunirá cursos, exposições e debates

Eduardo Gayer, especial para o Estado

23 de março de 2019 | 03h00

Um centro cultural com exposições, cursos e palestras. Se a descrição não parece propriamente uma novidade para São Paulo, é o recorte dado pela Casa do Parque, novo espaço paulistano de cultura, que vem a ser o seu diferencial. 

“Será uma programação quase inteira para discutir arte e ciência, arte e cidade”, conta Claudio Cretti, que integra a equipe do local. Regina Pinho, idealizadora, diz que a Casa do Parque, localizada em frente do Parque Villa-Lobos, deseja dialogar com a região que a cerca. “Queremos estar presentes nesse território e realizar projetos em conjunto com sua comunidade; pertencer a ela.” A ideia é propor parcerias com a associação de moradores do bairro. 

“A Casa se propõe a ser um ponto de encontro cuja a premissa é promover o diálogo construtivo e o intercâmbio de ideias, no viés de pensar o contemporâneo como um produto de nosso tempo”, completa Regina.

Uma das atividades de interlocução entre o centro cultural e seu entorno será o Festival Literário do Parque Villa-Lobos, ainda sem data definida, cuja coordenação, assim como de toda a programação cultural da Casa do Parque, será de Paulo Werneck. Ele, que já foi curador da Festa Literária Internacional de Paraty, a Flip, diz que não pretende repetir programações que já existem na cidade.“Não queremos mais do mesmo, mas algo muito diferente.”

Estão previstos, ao longo do ano, diferentes cursos que podem ser frequentados por profissionais de diversas áreas. “Haverá, por exemplo, um curso de ilustração científica botânica, ministrado por uma bióloga”, acrescenta Werneck. Apesar de a Casa do Parque promover um mix de programação gratuita, o público terá de pagar uma taxa pelos cursos. 

Rodas de debate também terão espaço no novo centro cultural de São Paulo. Logo na primeira semana, haverá dez mesas sobre colecionismo de arte contemporânea. “É um panorama sobre mercado da arte. Vamos pensar não só em como está sendo colecionada a arte do nosso tempo, mas também todo o processo de gerenciamento e cuidado com o ambiente da obra”, comenta Nei Vargas da Rosa, dinamizador dos debates.

Por mais que o colecionismo pareça algo distante do público em geral, Nei diz que as mesas não serão voltadas apenas a especialistas em arte. “É para interessados de modo geral, porque o campo de atuação profissional é muito abrangente.” Hoje, 75% do mercado brasileiro de arte é voltado ao colecionismo privado. 

A estreia da Casa do Parque será marcada pela exposição Tensão Relações Cordiais, com curadoria do crítico Tadeu Chiarelli. Com obras de 42 artistas, é um recorte da coleção de arte contemporânea da própria Regina Pinho, associada ao projeto expográfico do arquiteto Pedro Mendes da Rocha, que transforma toda a galeria em uma espécie de ‘caverna’, de forma a iluminar de maneira dramática cada obra. 

Para o segundo semestre, está prevista outra exposição, dessa vez da artista plástica paulistana Edith Derdyk. 

O caráter educativo do centro cultural foi pensado por Regina Pinho. “São Paulo é reconhecida por instituições e galerias de excelente qualidade e produção cultural. A cidade é carente, entretanto, de espaços para a aprendizagem e discussão em torno das artes e de cultura de um modo geral, uma extensão de lazer.”

Enfim, o que o povo paulistano pode esperar da Casa do Parque? “Um lugar para aprender, se divertir, estar”, finaliza a idealizadora do local. 

A Casa do Parque abre ao público no sábado, 24, às 10h. 

TENSÃO RELAÇÕES CORDIAIS

Casa do Parque. Av. Prof. Fonseca Rodrigues, 1.300. 3ª a 6ª, das 11h às 19h; sáb., e dom., das 10h às 18h. Grátis. Até 30/6.

CURSOS PREVISTOS

- Hortas automatizadas 

Alunos aprenderão a manejar uma horta urbana através de um aplicativo que controla, por exemplo, a irrigação das plantas. Serão trabalhos manuais associados a tecnologias de ponta.  

- Comida e cultura

Duas professoras e chefes de cozinha trarão teorias sobre a relação entre cultura e alimentação, mas também vão preparar alguns pratos com seus alunos.

- Música contemporânea

Matheus Leston, da Orquestra Vermelha, vai propor aos alunos uma reflexão sobre o processo musical dos tempos atuais 

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