Sam Peckinpah e a violência na fronteira mexicana

Em 1974, após Pat Garret e Billy the Kid, Sam Peckinpah voltou ao western para realizar sua última incursão pelo gênero. Nos anos 60, ele havia realizado filmes que se tornaram definitivos, como Pistoleiros do Entardecer e Meu Ódio Será Sua Herança (The Wild Bunch). A rigor, Tragam-me a Cabeça de Alfredo Garcia, às 19h45 no Telecine Cult, nem chega a ser um western e, muito menos, um bangue-bangue tradicional.O formato é muito mais de um filme de gângsteres desenrolado na fronteira mexicana, num Oeste que não é mais o da lenda, mas ainda vive - nos anos 70 - segundo preceitos que remetem a velhos códigos de honra e comportamento. É aí que um norte-americano marginal e decaído aceita decepar a cabeça de um sujeito que desafiou a autoridade de um chefão mexicano.No processo, o herói descobre algumas coisas sobre seu empregador - e a vítima - que o levam a mudar seu comportamento. O filme de Peckinpah de alguma forma dialoga com Os Profissionais, de Richard Brooks, em quequatro mercenários também descobrem que as coisas não são o que parecem. Há 33 anos, Peckinpah teve problemas com os produtores por apontar a arma para o público. O recurso ficou desgastado, mas na época era uma provocação e tanto.

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