Saltimbanco da eletrônica, chega o Groove Armada

Andy Cato, DJ do grupo inglês que faz show no dia 30, diz que as bandas têm de entender as mudanças no mundo musical

Jotabê Medeiros, O Estadao de S.Paulo

24 de abril de 2008 | 00h00

Madonna adora esses caras. Elton John também. Fatboy Slim fez remix deles. Neneh Cherry foi sua parceira. Isso tanto pode ser elogioso quanto um fator complicador, mas é certo que eles são superestilosos, para dizer o mínimo.É chegada a hora de chacoalhar o esqueleto com os ingleses do Groove Armada, o exército do groove, que desembarca na cidade na próxima quarta com seu conceito musical - uma dance music tingida de soul, de funk, eventualmente até de jazz, algum dub, algum reggae, mais uma pitada de ambient techno para ouvir no carro, outra de house para visualizar paisagens.Vozes de cantoras de R&B se movem numa floresta de beats hipnóticos, e ninguém fica parado com esse tipo de música de background do Groove Armada. Eles estão na estrada desde meados dos anos 1990, e já eram ídolos da música eletrônica na década passada. Ainda assim, não parecem nem um pouco preocupados com a emergência contínua de novos ídolos da eletrônica."Klaxons, CSS, New Young Pony Club. Tem muita gente nova na área. Para nós, isso é bom. Há muitos anos nós fazemos o show ao vivo combinando dance music com guitarras, com rock, com uma música mais crua. Quanto mais gente ouvir e gostar dessa mistura, melhor para nós, é a nossa especialidade", disse ao Estado Andy Cato, uma das duas metades do núcleo central do Groove Armada. Cato é freguês de carteirinha das festas dos clubes de São Paulo. Volta e meia está aqui exercendo seu coté DJ, coisa que fez em fevereiro do ano passado, tocando no Sirena.Cato disse que tanto seu grupo quanto os brasileiros do Cansei de Ser Sexy estão escalados para um mesmo festival em Londres, nos próximos dias, e que o Groove Armada ambiciona aproveitar a oportunidade e convidar o CSS para gravarem juntos. "Somos grandes fãs deles, fazem um som muito divertido", disse.O parceiro de Cato no Groove Armada é Tom Findlay (o resto da banda é incidental, e tem duas cantoras, baterista, tecladista e os dois se revezando na eletrônica, no trompete e guitarra). Findlay costuma excursionar também com seu projeto paralelo, a banda Sugardaddy, e Cato também milita em outro grupo desgarrado, o Rising 5. Quando é então que estão juntos? "Na verdade, o grupo com o qual temos o compromisso, com o qual fazemos os shows ao vivo é o Groove Armada. Os outros projetos servem como uma renovação, algo que ajuda a manter sempre fresca a nossa parceria, a renovar as idéias", afirmou o músico.O mundo da indústria musical, no entanto, ficou pequeno para o que o Groove Armada já ameaçou se tornar: uma banda do mainstream. Há alguns anos, eles estavam na mesma gravadora de Britney Spears, chegaram a ser indicados para um Grammy, tocaram para 40 mil pessoas em festas em Ibiza e adjacências."Acho que a grande indústria recebeu uma mensagem. As bandas também receberam essa mensagem. Agora, os grupos têm de se preparar para tocar nos lugares certos, para as pessoas certas, não importa quantas sejam. Havia uma preguiça. Particularmente, nós ainda tocamos para multidões em festivais, mas também em pequenos clubes. Nas duas situações, é bom para a gente, é prazeroso e satisfatório", diz Cato.Agora tornados saltimbancos da eletrônica, eles voltam com pelo menos três discos novos para escolher um repertório: o álbum do ano passado, Soundboy Rock; hits da coletânea que comemorava os 10 anos de gravações, chamada GA10: 10 Year Story, lançada este ano; e a coletânea Late Night Tales, na qual repassam a música de ícones do passado, como Marvin Gaye, Depeche Mode e The Cure, e a do presente, como Midlake e Peter, Bjorn and John. Traz também uma versão exclusiva do clássico Are Friends Electric?, de Gary Newman.O Groove Armada deve voltar ainda este ano ao País. A banda fechou contrato com um fabricante de bebida para participar de ações globais promovidas pela marca. Isso, segundo a empresa, resultará na turnê mundial Bacardi B-Live, que deve passar pela Espanha, México, Rússia, Austrália e Brasil, e o contrato do grupo inglês implica ainda a gravação de 4 faixas inéditas exclusivas para a companhia. No sábado, 19, a banda já se apresentou na primeira fase do projeto, em Bayfront Park, Miami Beach, para um público estimado em 5 mil pessoas. Serviço Groove Armada. Credicard Hall (7 mil lugs.). Avenida das Nações Unidas, 17.955, Santo Amaro, 6846-6010. 4.ª (30/4), 21h30. R$ 80 a R$ 300

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