Sai a primeira ''''coleção verde'''', livre de carbono

Bicho-Poema fala da situação dos animais silvestres brasileiros e reflete sobre a degradação ambiental

Karla Dunder, O Estadao de S.Paulo

07 de setembro de 2014 | 00h00

Chega às livrarias a coleção Bicho-Poema, a primeira série de livros infanto-juvenis considerada verde e livre de carbono. A proposta da editora Peirópolis está em refletir sobre o processo de produção do livro - do uso do papel à temática abordada nos textos. Para lançar a coleção, o time escalado é pra lá de comprometido com a ecologia: a ilustradora Laurabeatriz e os escritores Lalau e José Santos."Normalmente, a gente escreve sobre uma causa. Nós três temos o compromisso de escrever com engajamento e decidimos transpor essa iniciativa para o projeto gráfico. A editora abraçou a idéia e organizou todo o processo com o auxílio de ONGs", explica José Santos. Para a editora da Peirópolis, Renata Borges, "autores engajados mereciam um tratamento engajado da editora. Além disso, esta é uma boa oportunidade de os jovens leitores refletirem sobre os efeitos da cadeia produtiva do livro e também sobre a situação dos animais silvestres."A realização dos livros começou com uma sugestão da Renctas ­- Rede Nacional de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres. "O pessoal da Renctas nos forneceu uma lista com 22 bichos que estão ameaçados de extinção no Brasil. Então, dividi os bichinhos com o Lalau, passamos a pesquisar e escrever os poemas." Daí nasceram o irreverente Rimas da Floresta, assinado por Santos, e a leveza de Boniteza Silvestre, de Lalau. Os livros são acompanhados por um encarte pedagógico que auxilia os professores em sala de aula a discutir essa triste questão ambiental: o tráfico de animais silvestre. Esse mercado ilegal movimenta cerca de US$ 20 bilhões em todo o mundo e o Brasil está na rota dessa exploração. A coleção também é acompanhada de um baralho com imagens dos animais para atividades na escola ou em casa."É importante que as crianças entendam que animais silvestres, aqueles que nascem em terras brasileiras e não têm a necessidade do homem para se reproduzir, não são animais de estimação. Toda a sociedade precisa abraçar essa causa", diz Santos. A editora defende a necessidade de a criança pensar sobre sustentabilidade e na degradação do meio ambiente.Todo o processo de realização dessa coleção livre de carbono contou com o apoio da Iniciativa Verde, responsável pelo cálculo das emissões de carbono e pelo plantio das mudas para compensar as emissões. Os títulos são impressos em papel certificado pelo Conselho de Manejo Florestal (FSC).

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