Safra inspirada ganha o 4.º Festival Aruanda

Um Artilheiro no Meu Coração, de Lucas Fitipaldi, vence na categoria documentário a mostra realizada em João Pessoa

Maria do Rosário Caetano, O Estadao de S.Paulo

16 de dezembro de 2008 | 00h00

Um ídolo esquecido do futebol, um jovem de 22 anos e uma reportagem sobre células-tronco realizada pela TV USP (Universidade de São Paulo) foram os grandes vencedores do 4º Festival Aruanda, encerrado na madrugada de ontem, em João Pessoa, na Paraíba.O pernambucano Ademir Menezes, o Queixada, astro revelado pelo Sport do Recife, que fez a glória do Vasco, e tornou-se o maior goleador de uma só Copa (a traumática, de 1950), caiu no esquecimento. Tudo porque não conseguiu fazer o gol que o Brasil necessitava para empatar com o Uruguai e tornar-se campeão do mundo. Nem os 9 gols que marcara no campeonato mundial fizeram dele um herói. "No Brasil, ninguém aceita a condição de vice", costumava dizer Ademir.Sua história é lembrada no documentário Um Artilheiro no Meu Coração!, do recifense Lucas Fitipaldi, que conquistou o Troféu Aruanda de melhor documentário no festival paraibano.O jovem André Costa (de 22 anos), nascido em Campina Grande, na Paraíba, causou sensação. Competiu com dois documentários e os dois foram - com muita justiça - premiados. Amanda e Monick, sobre dois travestis que vivem numa pequena cidade do sertão do Cariri, foi eleito o melhor filme paraibano. Já A Encomenda do Bicho Mendonho, sobre um escultor de 94 anos, que criava seus trabalhos (desde os 7 anos e até os 94, quando morreu) sob encomenda de um monstro imaginário, ganhou o Prêmio Banco do Nordeste, o mais cobiçado, pois além de troféu, oferece prêmio em dinheiro. O jovem campineiro, que faz filme com baixíssimo orçamento, vibrou. Anotem o nome desse rapaz, pois ele está preparando seu primeiro longa. E tem muito talento e uma imaginação das mais férteis.Uma reportagem feita por equipe (liderada por Pedro Ortiz) da TV USP (para a TV Universitária de SP), sobre células-tronco, ganhou o principal prêmio em sua categoria. O melhor filme de animação foi As Scimas do Destino (inspirado em poema de Augusto dos Anjos), de Paulo Leonardo Filho, de Pernambuco. O melhor curta ficcional foi Maridos, Amantes e Pisantes (inspirado em dois textos de Luis Fernando Verissimo), dirigido pelo carioca Ângelo Defanti.O Fest Aruanda homenageou as atrizes Eliane Giardini (estrela do longa paraibano O Salário da Morte, de1970) e Conceição Senna, e o diretor fluminense Walter Lima Jr. , muito estimado na Paraíba desde 1965, quando levou às telas o romance Menino de Engenho, de José Lins do Rego.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.