Ruy Guerra e sua intimidade com a obra de García Márquez

A relação do cineasta Ruy Guerra com a literatura é proveitosa - ele se inspirou em Chico Buarque para Ópera do Malandro e Estorvo, e em Gabriel García Márquez para rodar Erêndira e O Veneno da Madrugada, que o Canal Brasil exibe às 22 horas.Baseado na novela A Má Hora, o filme traz a história de uma cidadezinha isolada pela chuva e dominada por um prefeito que sofre com a dor de dente. Certo dia, o povoado é abalado por bilhetes anônimos que denunciam traições políticas, amorosas e segredos familiares. Todos os moradores se sentem ameaçados e começam a revelar as verdades escondidas. Para complicar, acontece também um crime, reconstituído em três diferentes versões. O cinéfilo mais atento vai se lembrar de Rashmoon, clássico de Akira Kurosawa, que também apresenta visões distintas sobre um mesmo acontecimento. Não foi a intenção de Guerra, no entanto, mais preocupado em provocar emoções sensoriais no espectador que propriamente entretê-lo com uma história.Essa é, na verdade, a essência da literatura de Gabriel García Márquez, disposto a fazer com que o leitor tire os pés do chão ao acompanhar suas tramas surreais.

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