Rubens, um gênio do barroco, chega ao Rio

Mostra com 80 gravuras já foi vista por 80 mil em Fortaleza

Roberta Pennafort, O Estadao de S.Paulo

11 de setembro de 2008 | 00h00

Considerado gênio do barroco, o alemão Peter Paul Rubens (1577-1640) terá seu universo revelado a partir de hoje numa grande exposição no Centro Cultural Correios, no Rio. Rubens e Seu Ateliê de Gravura é composta por 80 gravuras do acervo do Museu Siegerland, da cidade natal do pintor, Siegen, próxima a Frankfurt.Trata-se da primeira mostra de Rubens realizada na América Latina. Entre abril e junho, as imagens - cenas bíblicas e mitológicas, paisagens e retratos - passaram pela Universidade de Fortaleza, atraindo mais de 80 mil visitantes.Entre as obras, destacam-se Santa Catarina e Velha Senhora Com Criança e Vela. São das poucas realizadas pelas mãos do próprio artista. A maioria foi confeccionada, sob a supervisão de Rubens, por funcionários de seu ateliê. Os gravadores eram profissionais responsáveis por transpor para gravuras o conteúdo de seus quadros. Era uma forma de divulgar sua arte, fazê-la correr a Europa - afinal, as gravuras eram menores e podiam ser reproduzidas várias vezes, a partir de moldes."Uma vez vendido, o quadro ficava num único lugar. Só que a fama do artista dependia de sua circulação. Ou seja, as cópias eram uma estratégia de marketing", explica Pieter Tjabbes, holandês cuja empresa, a Art Unlimited, vem se dedicando à divulgação da gravura, como obra autônoma de valor intrínseco, por aqui.Rubens foi o primeiro a se utilizar desse estratagema sistematicamente, embora ele já se verificasse desde o Renascimento. "Ele se via como um gênio e queria ser reconhecido. Era um empresário, administrava sua carreira, e ficou rico assim." Tjabbes é curador da mostra, com Ursula Blanchebarbe, diretora do Museu Siegerland, que veio ao Brasil.Naturalmente, as obras que foram realizadas pelo próprio artista têm uma "aura especial" para os colecionadores. Não que as demais sejam menos importantes - na época, a concepção da obra de arte era o ato criador em si, de modo que a execução poderia ficar a cargo de colaboradores.Rubens tentava se proteger das cópias piratas. Junto à coroa, conseguiu o chamado "privilégio real", uma espécie de direito autoral que previa sanções a falsários que comercializassem gravuras atribuídas a ele. Foi o primeiro artista europeu a ter essa prerrogativa. Essa e outras histórias serão contadas num documentário sobre o pintor, que também era diplomata.

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