Reprodução do Instagram do artista @romerobritto
Reprodução do Instagram do artista @romerobritto

Romero Britto quer que filme sobre sua vida seja 'uma história de inspiração'

Com as gravações previstas para 2021, produção sobre a vida do artista será ambientada no Brasil, Londres e Miami

Emilio J. López, EFE

21 de novembro de 2020 | 10h59

A trajetória do internacionalmente conhecido pintor brasileiro Romero Britto, de 57 anos, serão levadas ao cinema, com uma história que o artista espera que sirva como "inspiração para as pessoas".

A dedicação, o entusiasmo, a criatividade e a aptidão que levaram Britto a se tornar uma referência nas telas, inspirado no movimento cubista e na art pop, agora serão mostrados nas telonas, repassando a história do artista desde a infância no Recife.

Com as gravações previstas para 2021, o filme será ambientado no Brasil, Londres e Miami, onde Britto reside atualmente. O roteiro está sendo finalizado e em breve começarão as audições para a seleção do elenco.

"Fiquei surpreso quando o produtor cinematográfico (Armando Gutiérrez) e outra produtora entraram em contato comigo e deram a ideia de fazer um filme sobre a minha vida", disse o brasileiro em entrevista à Agência Efe em seu novo estúdio, localizado em Liberty City, ao norte de Miami.

Romero Britto, que aproveitou o distanciamento social durante a pandemia do novo coronavírus para se "reconectar com o trabalho no ateliê", quer que o filme seja, principalmente, "uma história de inspiração para as pessoas". No estúdio onde trabalha, uma das paredes contém uma célebre frase de Walt Disney: "O que quer que você faça, faça bem feito".

A proposta do filme pegou Britto em um momento de imersão no trabalho, mas a surpresa logo deu lugar a um compromisso do artista de revelar a história de forma inspiradora para outros.

Verdadeira arte pop

Vestido com um terno amarelo brilhante para combinar com os óculos e uma camiseta de design Britto, o artista enfatizou que "a ideia central" de seu trabalho sempre foi "levar a arte às pessoas ao redor do mundo".

"Eu gosto da ideia de minha arte estar em casa, em qualquer lugar e em qualquer lugar", explicou.

Fã de Pablo Picasso, Georges Braque e Henri Matisse, Romero Britto dissemina sua arte tanto em parques, estátuas em praças e aeroportos internacionais como em simples objetos do cotidiano, como almofadas, malas e bolsas, roupas, móveis, carros e vasos. O objetivo, do qual nunca se desviou, é vender a preços acessíveis tanto para um primeiro-ministro como para qualquer outra pessoa.

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Gosto de compartilhar o meu mundo com as pessoas
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Romero Britto, artista plástico

"Gosto de compartilhar o meu mundo com as pessoas, trazer a minha arte para elas e fazer com que se torne parte de suas vidas", disse o pintor.

A marca artística de Britto está, sem dúvida, ligada à cidade de Miami, uma simbiose duradoura da qual o artista extrai constante inspiração e energia.

"Meu relacionamento com Miami (para onde se mudou nos anos 1980) é muito longo. É uma cidade formada por pessoas que chegam de todas as partes do mundo, que vêm, vão e voltam a viver aqui", analisou. Foi em Miami que ele comprou o primeiro cavalete da vida, o qual ainda guarda em um canto do estúdio.

Uma prévia de seu tempo merece um filme

Britto lamentou o cancelamento da feira Art Basel Miami Beach, prevista para a primeira semana de dezembro, devido às restrições impostas para frear a pandemia de covid-19, mas disse que "este grande evento artístico voltará no próximo ano".

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Britto esteve à frente de seu tempo, acreditou em si mesmo e sempre foi criativo
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Armando Gutiérrez, produtor

O artista está atualmente envolvido em vários projetos nos EUA e com compromissos em várias salas de exposição em outros países. Enquanto isso, visitantes e moradores de Miami cidade poderão desfrutar de seu cubismo neo-pop aplicado a um carro de Fórmula 1 que estará em exposição em sua galeria, em Miami Beach, a partir de dezembro.

Para o produtor cinematográfico Armando Gutiérrez, a história de Romero Britto "é exemplar, alguém que começou do nada e deu uma visão positiva" da existência, aspectos que pesaram em sua decisão de levar a vida do artista brasileiro para o cinema.

"Britto esteve à frente de seu tempo, acreditou em si mesmo e sempre foi criativo, com aquele espírito Walt Disney que o distingue", disse Gutiérrez.


 

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