Roda de choro com o toque de Proveta

Músico recebe convidados como Léa Freire, Izaías e Edson Alves para tocar K-Ximbinho, Jacob, Pixinguinha e outros

Lauro Lisboa Garcia, O Estadao de S.Paulo

08 de novembro de 2008 | 00h00

Nailor Proveta é um tipo de unanimidade inteligente, a contrariar aquela célebre expressão de Nelson Rodrigues. Reconhecido como o melhor clarinetista e saxofonista em atividade no Brasil, o músico reuniu instrumentistas à sua altura para mais um projeto estimulante, que mostra hoje e amanhã no Teatro Fecap. Trata-se de uma homenagem à velha-guarda do choro, mas com roupa nova e bacana, "sem mudar a alma" do legado de mestres como K-Ximbinho, Jacob do Bandolim, Pixinguinha e Radamés Gnattali, entre outros.Léa Freire (flauta), Edson Alves (violão de 6 cordas), Edmilson Capelupi (violão de 7 cordas), Izaías Almeida (bandolim) e Edu Ribeiro (bateria) estão entre os dez eleitos para estes shows, que vão ser gravados e sairão em CD no ano que vem. Diante da grande quantidade de material pesquisado, Proveta selecionou temas "que têm alguma representatividade dentro da idéia do projeto". Isto não significa que as composições sejam as mais conhecidas dos homenageados. O repertório inclui raridades de K-Ximbinho ("trem de partida do projeto"), como Meiguice e Tô Sempre Aí, Zequinha de Abreu (Casar Não É Casaca), Minha Gente (Pixinguinha), Vibrações (Jacob) e Caçador de Borboletas (Gnattali). Em alguns momentos, o show também terá uma roda de choro tradicional, mas a idéia central é misturar o regional com a sonoridade das bandas de coreto, foco do trabalho de Proveta que antecedeu a este, Tocando para o Interior. "Esse disco começou a me remeter um pouco mais para a questão da composição e também da origem que a gente busca", diz o músico. "Quer dizer, o choro é um gênero bastante antigo, mas ao mesmo tempo tem uma relação muito forte com os músicos que vieram das bandas de coretos."A formação de Proveta - que veio de Leme, interior de São Paulo, para a capital e aqui criou a fabulosa Banda Mantiqueira - equilibra essas referências, e quando ele reúne K-Ximbinho e Jacob do Bandolim no repertório refere-se à própria história dele, cruzada com a dos dois homenageados. "O som lírico do choro me cativa muito. E quando você mistura isso com a gafieira e acha alguns músicos que têm essa linguagem que poucos têm hoje, acho muito bonito." O grande segredo, para ele, com músicos desse naipe, é saber "como não deixar a música com sabor requentado". ServiçoProveta e convidados. Teatro Fecap (400 lug.). Av. Liberdade, 532, 3188-4149, metrô Liberdade. Hoje, 21 h, amanhã, 19 h. R$ 20 e R$ 10

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