Rock in Rio, de novo na Europa

Além de Lisboa, a edição 2008 vai se instalar também na Espanha, na cidade de Arganda del Rey

Jotabê Medeiros, O Estadao de S.Paulo

17 de novembro de 2007 | 00h00

Realizado pelo primeiro ano em dois países europeus, Portugal e Espanha, o Rock in Rio 2008 prepara-se para receber cerca de 800 mil pessoas na quinta edição (350 mil em Lisboa, em maio, e 450 mil em Arganda del Rey, nas cercanias de Madri, em junho). Primeiro grande evento de rock do Brasil, abriu caminho para os megafestivais brasileiros em sua edição inaugural, em 1985. Em 2003, fugindo do dólar alto e do preço alto das turnês na América Latina, veio para Lisboa, onde se tornou bienal e se instalou definitivamente, movimentando a cada edição cerca de 25 milhões de euros.Hoje, a chefona do entretenimento, Roberta Medina (filha do fundador, o publicitário Roberto Medina), mudou-se para Estoril, nas cercanias de Lisboa, e os escritórios de planejamento (que devem empregar cerca de 700 pessoas até os festivais) estão instalados dentro do Estádio Avelade, sede do mítico clube de futebol Sporting. Ela lidera o time que prepara as três novas edições além da de 2008 - de 2010, 2012 e 2014, quando o festival volta ao Brasil, na Copa do Mundo de Futebol.''''Poderá ser no Rio ou em São Paulo, depende de qual governo vai oferecer o melhor local e apoio'''', disse ao Estado Roberto Medina, de 60 anos, que continua sendo o mentor e o divulgador do Rock in Rio, mas delegou aos filhos, Rodolfo e Roberta, as operações logísticas. Para a sede do Rock in Rio no Rio, em 2014, Medina revelou que está de olho no autódromo da cidade, que está inativo, e já tem desenhado o projeto da Cidade do Rock que voltará ao seu País natal. É uma estrutura com mais de 200 mil metros quadrados.Para o Rock in Rio 2008, Medina disse que já tem 3 atrações principais ''''quase fechadas'''', mas que por exigência dos artistas ainda não poderá divulgá-las. É quase certo o nome do grupo Bon Jovi, e outros são especulados por aqui: Radiohead, The Who, Oasis, e os eletrônicos Crystal Method, Underworld, DJ Vibe e Carl Cox. Em Arganda del Rey, cidadezinha que investe 15 milhões de euros na construção da Cidade do Rock, Alejandro Sanz e Ivete Sangalo já foram confirmados e o grupo local Heroes del Silencio certamente está na jornadaPrimeiro grande festival de rock do Brasil, o Rock in Rio já reuniu até hoje, em suas 5 edições, 4 milhões de pessoas e 396 artistas. Muita coisa mudou desde a primeira edição, especialmente no que diz respeito à música eletrônica, diz Miguel Marangas, curador de eletrônica do evento desde o começo. ''''O interesse cresceu muito e estamos dobrando a capacidade do espaço de eletrônica, que vai de 2 mil pessoas para 4 mil.'''' Ele já escalou de Groove Armada a Carl Cox, Gilles Peterson a David Mancuso e DJ Patife a Tiesto.A movimentação para instalar o Rock in Rio em Arganda del Rey está sendo até agora o maior desafio para os Medinas. Ao contrário de Lisboa, onde tinha apenas um concorrente, mas de outra linha, o festival Superbock, a Espanha já tem festivais muito sedimentados e ecléticos, como o de Benicassim. Os espanhóis também, em música, são mais nacionalistas que os portugueses, e têm seus próprios ídolos locais, com peso semelhante aos estrangeiros em popularidade. Medina, não raro, é acusado de privilegiar os chamados ''''dinossauros'''' do rock em suas escalações, como o Iron Maiden, Paul McCartney, Guns ''''N Roses, James Taylor, Sting. ''''E por que não? Os ''''velhinhos'''' é que estão fazendo as turnês mais procuradas'''', afirma. Mas o empresário diz que nunca esquece as novidades, como já fez em outras edições com Beck, Evanescence, Foo Fighters. Na conversa, demonstrou interesse na turnê de retorno do Verve e elogiou a cantora inglesa Amy Winehouse.Medina continua propondo, paralelamente ao festival, ações ecológicas e afirmativas. Este ano, o tema são as alterações climáticas. O Rock in Rio Lisboa, em 2008, instalará 22 fontes de energia solar para 20 escolas do Paris, investimento de 70 mil euros. Na Espanha, ''''para compensar as emissões de carbono com o festival'''', serão plantadas 20 mil árvores. Isso tudo começou em 2001, quando a terceira edição do festival, no Brasil, destinou recursos para ajudar 3,2 mil crianças brasileiras a concluir o ensino fundamental. Em Madri, a TVE, televisão espanhola, envia na próxima semana uma equipe ao Rio para verificar como estão hoje esses garotos ajudados pelo programa. O primeiro Rock in Rio em Lisboa destinou recursos para uma escola na Tanzânia.Segundo Roberto Medina, em 1985, o preço do ingresso do festival, no Brasil, era de US$ 12. ''''Mesmo com o público previsto, eu nunca conseguiria pagar, por exemplo, um show como o da banda Queen, àquela altura estimado em quase US$ 1 milhão'''', disse. Foi então que iniciou o projeto de vender antecipadamente, quase um ano antes, as cotas de patrocínio (na época, também algo pouco explorado pela publicidade, cerca de 2% do mercado), o que acabou se constituindo num tipo de know-how - caminho depois seguido por outros empresários do ramo.O repórter viajou a convite da organização do Rock in Rio 2008

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