Roberta e Roy, frescas novidades do velho jazz

Italiana, que cancelou vinda ao Brasil em 2007, volta com o notável trompetista

Jotabê Medeiros, O Estadao de S.Paulo

23 de janeiro de 2008 | 00h00

Há quatro anos, ainda uma ilustre desconhecida, a cantora italiana Roberta Gambarini passou pelo Brasil na companhia do trompetista Roy Hargrove. Nem uma resenhinha ganhou.No ano passado, já consagrada nos Estados Unidos, ela voltaria para cantar com seu quinteto no TIM Festival, em outubro, na noite dedicada ao jazz europeu. Mas teve de cancelar sua vinda por ordens médicas - além das apresentações no Brasil, ela cancelou também uma série de shows nos Estados Unidos e Rússia por problemas nas cordas vocais. No lugar dela, veio a sueca Lisa Ekdahl.Agora, recuperada, Roberta volta com o mesmo parceiro de 2004, Roy Hargrove, para uma segunda turnê pelo País, após ser indicada para o Grammy de melhor álbum de jazz vocal (pelo disco Easy to Love).Hargrove é um dos mais notáveis novos talentos do jazz, atuando num território crossover. Esteve em São Paulo e no Rio para o TIM Festival 2006, fazendo um show ultrafunky, misturando o combustível da música black com o jazz. ''''Meu pai era um colecionador de discos. Sempre tinha em casa os mais recentes álbuns de R&B e funk. Eu era fascinado por vários deles, como George Clinton e o Funkadelic. Quando eu comecei a tocar, foi natural que essa música aparecesse no meu som'''', disse ontem Hargrove ao Estado, logo após descer no aeroporto em São Paulo.Já Roberta, italiana de Torino, onde começou a carreira aos 17 anos, vive atualmente em New Jersey, nos Estados Unidos. Conhece toda a constelação do jazz brasileiro, de Duduka da Fonseca a Romero Lubambo, de Leny Andrade a Luciana Souza. ''''Quando eu era garota, Elis Regina tocava muito na TV italiana. Era muito famosa na Itália naquela época, e eu fiquei encantada. É uma das grandes artistas do século 20'''', disse Roberta, em setembro.Elis Regina é um dos nomes que aparecem na lista de influências que ela elegeu em sua página no MySpace, além de Dinah Washington, Shirley Horn, Sarah Vaughan, Carmen McRae. ''''Tem também um nome que não está nessa lista e que eu considero uma das minhas preferidas. É Leny Andrade. É fantástica, uma grande improvisadora. Conversei com ela um dia no Birdland, em Nova York, ela estava com César Camargo Mariano e Romero Lubambo. Amo Leny'''', disse La Gambarini, que tem um tio (padre Alberto, irmão de seu pai) em Itapecerica da Serra e pretende visitá-lo.Roberta foi para os EUA em 1998, após ganhar o concurso Thelonious Monk. Disse que nunca se sentiu como se estivesse começando ali uma carreira nova. ''''Lutei muito no meu próprio país, já tinha uma carreira. Mas quando encontrei esse pessoal com quem toquei aqui, Ron Carter, Michael Brecker, Christian McBride, Benny Carter, senti uma coisa misteriosa. Como se fizesse parte de tudo isso há muito tempo. Eles me deram grande apoio. Tem sido uma jornada fabulosa.''''Ela conta que sua preocupação maior não está em fazer muito sucesso, mas em erigir uma carreira sólida artisticamente, sem atentar para ''''certas regras de marketing'''' de gravadoras. ''''As gravadoras esperam que um disco tenha grandes vendas em muito pouco tempo. É um erro. Veja o caso de Miles Davis, por exemplo - não que eu esteja me comparando a Miles, longe disso. Mas ele não vendia muito no início e, no entanto, seus discos se mantêm vendendo até hoje. E hoje eles querem que um disco de jazz venda nas primeiras duas semanas. Assim, forçam uma espécie de gosto comum. Minha preocupação é outra, e diz respeito à qualidade da música.''''Serviço Roberta Gambarini e Roy Hargrove. Bourbon Street Music Club (350 lug.). Rua dos Chanés, 127, Moema, telefone 5095-6100. Hoje, 22 h. R$ 95

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.