Robert Rodriguez tenta criar nova franquia milionária

A Pedra Mágica segue a vertente infanto-juvenil de Pequenos Espiões

Luiz Carlos Merten, O Estadao de S.Paulo

29 de agosto de 2009 | 00h00

Robert Rodriguez é um cineasta tex-mex - nascido em San Antonio, no Texas, de ascendência mexicana - que se tornou conhecido quando um filme que fizera com orçamento irrisório, El Mariachi, foi adquirido pela Columbia, que investiu um dinheirão na promoção e o filme fez sucesso de público em todo o mundo. Ligando-se a Quentin Tarantino, Rodriguez passou a liberar a porção mais infantil do amigo. Até quando brinca - Bastardos Inglórios, com estreia marcada para breve -, Tarantino, sozinho, é melhor. Trailer de ''A Pedra Mágica''Em quase 20 anos de carreira, iniciada com o curta Bedhead, em 1991, Rodriguez tem alternado filmes para adultos com produções voltadas para o público infantil ou adolescente. Basta citar Um Drink no Inferno, Sin City e Pequenos Espiões (que virou franquia). O sucesso do último deve ter estimulado o cineasta a tentar renovar a fórmula com A Pedra Mágica.A trama gira em torno de pedra colorida que cai do céu e é capaz de realizar os desejos de quem a tocar. Isso ocorre numa comunidade norte-americana que pretende ser, mesmo que superficialmente, um microcosmos da sociedade dos EUA. O narrador é um garoto que sofre o Diabo nas mãos dos colegas da escola. Nerd - aparelho nos dentes, óculos, nenhuma aptidão para exercícios -, ele é saco de pancada da gangue de garota, cuja agressividade submete, de cara, a uma investigação, digamos psicanalítica. Se bate nela, é porque, no fundo, o ama, deseja. Em vez de uma declaração de amor, o diagnóstico é seguido por novas pancadas.Existem as crianças e os adultos. Os pais do herói lideram equipes rivais que trabalham para o empresário pai da garota, tentando resolver os problemas tecnológicos em torno de um cubo mágico. O empresário é ganancioso (e inescrupuloso). E existe o pai de outro garotinho, um cientista obcecado por limpeza. Estamos falando dos humanoides, pois existem também os alienígenas, tão liliputianos que o disco voador deles cabe na mochila do protagonista, quando vai para a escola - sim, na cara dura Robert Rodriguez apropria-se de ideias que já estavam em O Milagre Veio do Espaço, de Matthew Robbins, de 1987, produção superior de um certo... Steven Spielberg.No afã de proporcionar diversão movimentada, Rodriguez carrega nos efeitos e num ritmo tão frenético que se arrisca a transformar A Pedra Mágica num porre. Por se tratar de programa infanto-juvenil, mas franqueado também para adultos, o filme tem de passar uma ?mensagem? e ela é a tradicional. A humanidade está gananciosa demais, só pensa em dinheiro, até um bebê consegue ver o que está errado no mundo. Nem o bebê que pensa é original - olha quem está falando, cara! A maior curiosidade termina sendo um detalhe que vai passar despercebido para a maioria dos espectadores. Shorts! - é o título original de A Pedra Mágica - é uma coprodução entre EUA e Emirados Árabes. Hollywood vai aonde for preciso em busca de parcerias para construir novas piscinas na Califórnia. Se pelo menos os filmes fossem bons... ServiçoA Pedra Mágica (Shorts, EUA-Emirados Árabes/2009, 89 min.). Aventura. Dir. Robert Rodriguez. Livre. Cotação: Ruim

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