''''Robert foi um líder, um visionário''''

O ator Martin Sheen conta que se rendeu ao magnetismo de Kennedy e define-o como um tipo de político raro hoje em dia

Carlos Helí de Almeida, O Estadao de S.Paulo

07 de julho de 2027 | 00h00

Em 2001, o seriado de TV The West Wing, ambientado nas coxias da Casa Branca, foi homenageado pelo Robert Kennedy Memorial Foundation por ser um programa de TV que ajudava a difundir o pensamento progressista de seu patrono, morto em 1968. Martin Sheen, intérprete do presidente americano na série, acabou dando o seu troféu, um pequeno busto do político, ao filho Emilio Estevez, que desde 1999 desenvolvia o roteiro de Bobby, um projeto alimentado pelo ideário do herdeiro político de seu irmão mais velho, John F. Kennedy (1917-1963).''''Desde então, a estatueta tem estado sobre a mesa de trabalho de Emilio. Tenho certeza de que ela serviu como mais um instrumento de inspiração para ele, que lutou durante anos para que o filme se concretizasse'''', contou o veterano ator americano ao Estado, durante o Festival Internacional de Marrakech (Marrocos), onde Bobby, que chega ao circuito brasileiro hoje, foi exibido em concurso. ''''Quando Emilio me mostrou o primeiro esboço do roteiro, muitos anos atrás, percebi ali uma pequena jóia. Mas ninguém queria investir em um filme arrojado, com dezenas de personagens, imagens de arquivo e de forte conteúdo político'''', esclarece SheenNo filme, Sheen, que no cinema viveu tipos memoráveis, como o pobre rebelde de Terra de Ninguém (1973), de Terrence Malick, e o coronel Willard de Apocalipse Now (1979), de Francis Ford Coppola, encarna o marido de uma socialite (Helen Hunt) depressiva. Ele é um dos 22 tipos (com falas), de várias origens e motivações, que cruzam o antigo hotel Ambassador, em Los Angeles, no dia 5 de junho de 1968, onde Bobby (como Robert era chamado pelo eleitor americano), então candidato à Presidência, era aguardado para um discurso decisivo. Naquela mesma noite, um atirador anônimo enterraria o sonho de uma geração inteira de americanos, que viam em Bobby Kennedy como uma versão branca do pacifista e líder negro Martin Luther King (1929-1968).''''Bobby era a nossa última esperança de um governo liberal, com uma postura menos agressiva na política internacional. Em vez dele, ganhamos (Richard) Nixon. Sem ele, as famílias continuaram enterrando os filhos mortos na Guerra do Vietnã (1965-1975)'''', lembra Sheen, que se rendeu ao magnetismo Kennedy ainda durante os momentos finais da campanha para o Senado, em um encontro em Nova York, em 1965. ''''Passei três horas ao lado dele, em um pódio montado no Garden, durante uma manifestação contra a desapropriação de uma área residencial do Brooklyn. Fiquei impressionado com a timidez e o carisma dele. Bobby era um líder, um visionário, um tipo de político raro hoje em dia.''''Condenado ao esquecimento antes do 11 de setembro de 2001 e do conseqüente endurecimento da gestão de George W. Bush, a ambiciosa idéia de Estevez, uma promessa da geração de atores dos anos 80, acabou conquistado o apoio de grandes nomes da comunidade pensante de Hollywood. Anthony Hopkns, Sharon Stone, Laurence Fishburne, Demi Moore, Elijah Wood, Lindsay Lohan, Christian Slater, e diversos outros atores do cinema e da TV aderiram à mensagem do projeto. ''''Para mim, o filme diz claramente: ''''Veja o que nós tivemos um dia, liderança, visionários! Esqueçam os políticos, busquem por lideranças'''''''', exalta Sheen. ''''Não sei se a Casa Branca entendeu o recado, mas o povo americano está acordando, mandou um recado para eles nas últimas eleições para o Senado (que deram maioria aos democratas na casa). O povo está farto de mentiras, de abusos. A invasão do Iraque foi baseado no ego. Bush queria entregar a cabeça de Saddam ao pai.''''

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