Ritchie reencontra a ''menina veneno'', depois de 25 anos

Cantor fala do relançamento de Voo de Coração, além de CD e DVD com inéditas

Entrevista com

Roberta Pennafort, RIO, O Estadao de S.Paulo

28 de janeiro de 2009 | 00h00

Em agosto de 2008, durante uma reunião de trabalho, num café, com o novo empresário, o cantor Ritchie foi interpelado por um representante da gravadora Sony, de quem ouviu: "Você sabia que eu continuo vendendo seu primeiro álbum até hoje?" Ritchie e o empresário já conversavam sobre o desejo de relançar Voo de Coração, que completara 25 anos seis meses antes. Naquele momento, concluíram: o encontro não era só coincidência, e sim um sinal de que o projeto tinha mesmo de ser realizado.Considerado um marco do rock brasileiro, o disco, praticamente só de parcerias de Ritchie com Bernardo Vilhena, tem no lado A seu maior hit, Menina Veneno, além dos também sucessos A Vida Tem Dessas Coisas (Pra conversar/ Te convencer/ Te confessar/ Quero só você), Casanova (Boa noite, rainha, como vai?/ Sou o seu curinga, o seu ás) e Voo de Coração (No canto da sala/ O seu holograma/ Você parece sorrir); no lado B, Pelo Interfone (Chamo por você, ninguém atende/ De repente uma luz acende).À época, o LP vendeu mais de 1 milhão de cópias. O sonhado relançamento deu-se perto do Natal passado. Está indo bem, conta o hoje cinquentão Ritchie (ele faz 57 anos em março), que teve dificuldade para emplacar a proposta na gravadora. "Fomos à Sony (que comprou a CBS, pela qual o disco saiu em 83) e nos disseram que tinha muita gente comemorando 25 anos, que não havia equipe para fazer. Só conseguimos quando dissemos que faríamos tudo, e eles só precisavam distribuir", relembra o cantor, que foi atrás das fitas originais num depósito da Sony, a fim de tirar o mofo e remasterizá-las.O resultado é um som de qualidade, que agrada não só aos fãs da década de 80, mas também a quem não a viveu - no site de Ritchie, www.ritchie.com.br, os comentários não são só de quarentões. O cantor fez questão de fixar o preço do produto em R$ 12,90, o mesmo de uma versão que ele considera fajuta, ainda no catálogo da Sony. No CD, o público tem, além das dez faixas originais (No Olhar, Preço do Prazer, A Carta, Parabéns Pra Você e Tudo Que Eu Quero complementam as já citadas), três bônus: Mi Niña Veneno, versão em espanhol que a CBS encomendou em 83 a Ritchie por conta da febre da música no Brasil, e que o levou a alguns países na América Latina; The Letter, cover, em inglês, da música original que ele verteu para o português há 25 anos; Baby Meu Bem, o lado B do compacto de Menina Veneno, que naturalmente ficou ofuscada; e uma versão 2008 de Voo de Coração, acústica, sem a guitarra de Steve Hackett (ex-Genesis, que naquela faixa substituiu Lulu Santos, guitarrista do disco com Liminha) e a bateria de Lobão, e com o piano de Humberto Barros, o violão de Paulinho Moska e a flauta de Ritchie.Ele não para. No segundo semestre, o cantor inglês, que nos anos 90 dedicou-se ao trabalho como consultor de informática para a área musical, lança um DVD com inéditas, no estilo "ao vivo no estúdio"; em seguida, vem um CD também de inéditas. Entre os planos para o futuro, poderá constar o lançamento de um CD com suas 14 músicas incluídas em novelas, sendo as primeiras Menina Veneno, que entrou em Pão Pão Beijo Beijo já "estourada", e Casanova, tema de abertura de Champagne, ambas em 1983, e a última, Fala, tema do personagem de José Mayer em A Favorita.Sem gravadora, o que acha ótimo ("não quero estar num navio que está afundando"), Richard David Court, que chegou ao Brasil em 72, aqui se fixou e teve duas filhas, segue se apresentando pelo País e escrevendo no blog que mantém desde 2004. Nele, lê muitos comentários de admiradores: "Sou seu fã desde o vinil", dizem. Não é nostálgico. Cumprida a missão de recuperar Voo de Coração, quer "olhar para frente, não para trás". Mas quem não gostaria de relembrar aqueles anos? "Era uma coisa despretensiosa, fizemos entre amigos. Quase ninguém ganhou dinheiro com o disco. A gente pensou que ia sair vendendo numa Kombi em Marechal Hermes", brinca. "Hoje é maravilhoso poder sentir o mesmo calor do público."

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