Richardson filma generais imbecis e heróis inúteis

A Carga da Brigada Ligeira, a versão de 1966, faz análise demolidora do pior da era vitoriana

Luiz Carlos Merten, O Estadao de S.Paulo

28 de julho de 2008 | 00h00

Existe a versão gloriosa de Michael Curtiz, com Errol Flynn, de 1936, na qual a carga da brigada ligeira ganha o acréscimo do poema de Lord Tennyson, que corre na tela sobre a imagem. O poema evoca os ?nobres 600? que morreram na batalha de Balaclava e se baseia todo na interrogação do poeta - quando jamais poderá extinguir-se sua glória? Exatamente 32 anos depois, o mundo era outro, quando Tony Richardson, se não refez o filme antigo, contou a mesma história.A Carga da Brigada Ligeira, a versão de 1968, deve mais ao clássico Glória Feita de Sangue, de Stanley Kubrick, do fim dos anos 50, do que ao épico de Curtiz. Como na obra-prima kubrickiana, a imbecilidade dos generais leva ao sacrifício no campo de batalha e os gloriosos 600 são incinerados no altar da pátria. É inútil insistir na excelência de Kubrick sobre Richardson. O interessante é destacar que o DVD de A Carga da Brigada Ligeira oferece uma boa oportunidade para se falar do ex-marido de Vanessa Redgrave, morto em 1991.Tony Richardson foi um dos deflagradores do free cinema, o movimento de renovação do cinema inglês por volta de 1960. Sua carreira é irregular, mas ele deixou o legado de filmes importantes como As Aventuras de Tom Jones, O Ente Querido e A Carga. A Guerra do Vietnã se intensificava quando Richardson retomou o episódio da batalha de Balaclava, em que os ingleses se uniram aos franceses para impedir que os russos massacrassem os turcos no Bósforo e o resultado foi uma carnificina. Para Richardson, a carga desastrosa é conseqüência do pior da era vitoriana. O uso de animação e o elenco - Trevor Howard, John Gielgud, David Hemmings - contribuem para a aura do filme.ServiçoA Carga da Brigada Ligeira Inglaterra, 1968, cor, 130 min. Dir.: Tony Richardson Fox. R$ 39,90Nas PrateleirasCLÁSSICO - Nos anos 80, o húngaro Miklos Janczo tinha fama de gênio, mas seus filmes não passavam no Brasil. A Lume recupera Vermelhos e Brancos, de 1967, sobre o choque de tendências na Rússia pós-czarista, em plena revolução comunista. AÇÃO - Diretor de aventuras extravagantes como Independence Day e Godzilla, o alemão Roland Emmerich viaja no tempo e vai à pré-história em 10.000 a.C. O filme da Warner, com Steven Strait e a brasileira Camilla Belle, é o melhor do diretor. CLÁSSICO - Nos anos 80, o húngaro Miklos Janczo tinha fama de gênio, mas seus filmes não passavam no Brasil. A Lume recupera Vermelhos e Brancos, de 1967, sobre o choque de tendências na Rússia pós-czarista, em plena revolução comunista. DELICADEZA - O russo Alexander Sokurov tem uma maneira toda especial de tratar o tempo. Antes de Arca Russa e Pai e Filho, ele fez Mãe e Filho, em 1997, sobre a relação de uma mãe enferma e seu filho dedicado. O DVD é da Silver Screen. CULT - O nome do italiano Federico Fellini virou sinônimo de ?magia? para cinéfilos de todo o mundo. Para descobrir por que, nada melhor do que este documentário, Fellini, a História de Um Mito, da Paris.

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