© Succession Pablo Picasso | AUTVIS, Brasil, 2016
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Retrospectiva traz mais de 100 obras de Picasso ao Brasil

A mostra 'Picasso: Mão Erudita, Olhar Selvagem' vai ser aberta no dia 22/5 no Instituto Tomie Ohtake

Camila Molina, O Estado de S. Paulo

15 de maio de 2016 | 05h00

Desde a última retrospectiva de Picasso em São Paulo, são 12 anos. Em 2004, uma grande mostra do artista espanhol ocupou toda a Oca, no Parque do Ibirapuera, atraindo milhares de visitantes. Agora, a cidade recebe mais uma vez um conjunto expressivo de criações do pintor – e novamente pertencentes à coleção do Musée National Picasso-Paris.

Entre os 116 trabalhos do artista selecionados do acervo do museu parisiense para a exposição Picasso: Mão Erudita, Olho Selvagem, que será inaugurada no sábado, 21, para convidados, e domingo, 22, para o público, no Instituto Tomie Ohtake, há algumas obras-primas do gênio, como o autorretrato de 1906, considerado um prelúdio dos caminhos que ele tomaria em direção à realização de um dos quadros mais importantes do século 20, Les Demoiselles d'Avignon, de 1907. “É primitivo, geométrico, muito escultural”, descreve Emilia Philippot, curadora da mostra e da instituição francesa.

Mas há ainda muitos outros trabalhos referenciais de Pablo Picasso (1881-1973) chegando ao Brasil neste momento, como o óleo sobre madeira A Morte de Casagemas, de 1901, em que o artista pinta, “no estilo de Van Gogh” o amigo, suicida, no caixão. Ou Figuras à Beira do Mar, de 1931, um desdobramento surrealista do cubismo, o revolucionário movimento do qual Picasso e Georges Braque (1882-1963) são considerados fundadores. Sem contar, ainda, os pouquíssimo conhecidos 22 fotogramas que o espanhol criou em parceria com o fotógrafo André Villers. “Em toda a história, não há exemplo de outro pintor que tenha sido capaz de criar tal diversidade de obras e de lhes conferir o poder de uma arte bem-sucedida”, já definiu o teórico da arte Meyer Schapiro.

A mostra Picasso: Mão Erudita, Olho Selvagem, com 34 pinturas, 42 desenhos, 20 esculturas e cerâmicas, 20 gravuras e os trabalhos fotográficos que o mestre realizou com Villers (além de filmes e imagens que o retratam), tem como objetivo justamente trazer à tona, em percurso cronológico, as várias facetas de produção do mestre – e o mote curatorial reflete o próprio acervo do Musée National Picasso-Paris, cuja singularidade é ser formado por “Picassos de Picasso”, ou seja, os trabalhos seletos que o artista guardou consigo – e alguns com os quais decidiu conviver, observa Emilia Philippot –, até a morte. “Desde os primeiríssimos anos de formação, durante os quais o jovem prodígio molda com habilidade cópias em gesso de mármores antigos, até as últimas etapas de sua vida, marcadas por intensa prática da gravura – entre reinvenção de técnicas e transgressão do motivo –, a coleção do museu parisiense constitui um corpus único que possibilita abordar o homem e sua obra em toda a sua complexidade”, afirma a curadora.

Veja trecho do filme 'Visite à Picasso' (1950), de Paul Haesaerts

Como opina Emilia Philippot, de 34 anos, Picasso é muitas vezes conhecido apenas como “o homem de muitas mulheres” e de muitos estilos. “Prefiro mostrar as questões estéticas de sua obra.”

Sendo assim, Olga Koklova, Marie-Thérèse e Jacqueline Roque aparecem com menos protagonismo na mostra, citadas nas criações – exceto a fotógrafa Dora Maar, que está na gravura La Femme Que Pleure, mas participa ainda como autora dos famosos retratos que documentaram o artista criando cada passo da pintura Guernica, em 1937.

Aliás, a retrospectiva tem um segmento dedicado justamente a Guernica. Não apenas por ser uma das principais obras do artista, seu “grito” sobre os horrores da guerra, mas também pelo fato de o painel ter sido apresentado na 2.ª Bienal de São Paulo, em 1953.

Depois da temporada no Instituto Tomie Ohtake, a exposição seguirá para o Rio – provavelmente, a exposição será abrigada no Paço Imperial. As exibições brasileiras estão orçadas em R$ 10 milhões, mas o projeto também prevê itinerância da mostra para o Centro Cultural Palacio de la Moneda, no Chile.

Obras-primas imperdíveis 

1.  A pintura Paul en Arlequin, de 1924, é uma das preciosidades da retrospectiva de Picasso. Paul é o primogênito do artista, seu filho com a bailarina Olga Koklova. “Picasso fazia autorretratos como arlequim, personagem da Commedia dell'arte, que era como seu duplo”, explica Emilia Philippot. “Ao retratar Paul como arlequim, ele trata da paternidade”.

2. No segmento dedicado ao cubismo, o violão aparece como tema único, desdobrando-se em 18 obras criadas em diferentes técnicas. “Mostramos como há muitos cubismos”, afirma a curadora. Há trabalhos criados de 1907 a 1914, mas posteriores também.

3. A pintura Grande Baigneuse au livre, de 1937, refere-se ao tema das banhistas, explorado por Picasso em seu período surrealista dos anos 1930 e que menciona o relacionamento com Marie Thérèse e o olhar para o corpo da amante. “Ela era nadadora”, conta Emilia Philippot. Mas na obra, uma mulher está lendo, muito triste, na praia, como se fosse um bloco de pedra.

4. Do último período de Picasso, “muito expressionista, erótico, escandaloso”, destaque para Le Baiser, de 1969.

PICASSO: MÃO ERUDITA, OLHO SELVAGEM

Instituto Tomie Ohtake. Av. Faria Lima, 201 (entrada pela R. Coropés, 88); tel. 2245-1900. 3ª a dom., 11h/20h. (3ª, grátis). R$ 12

Até 14/8. Abertura no dia 22/5

Bilhetes estão à venda para sessões

Para evitar filas, os ingressos para a mostra ‘Picasso: Mão Erudita, Olho Selvagem’ já estão à venda pelo site Ingresse.com . São oferecidas quatro sessões de entrada por dia – das 11h às 13h; das 13h às 15h; das 15h às 17h; e das 17h às 19h. O primeiro lote de vendas de ingressos está aberto para até 3/7. Os organizadores ainda não abriram o segundo lote.

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