Relações entre Brasil e EUA em 126 imagens

Mostra é fruto de quase dois anos de pesquisa de João Kulcsár

Camila Molina, O Estadao de S.Paulo

10 de novembro de 2007 | 00h00

Durante 1 ano e 8 meses, o professor de fotografia do Senac, João Kulcsár, se dedicou ao difícil trabalho de selecionar imagens que contassem a relação entre os EUA e o Brasil. Foi uma tarefa difícil porque, ao passar por arquivos importantes da imprensa brasileira (dentro dela, a Agência Estado), da imprensa estrangeira (The Washington Post e New York Times), da famosa Magnum Photos, da Associated Press e do Instituto Moreira Salles, entre tantos outros, Kulcsár tinha às mãos um leque gigantesco de opções e, diga-se, todas elas da melhor qualidade, muitas delas premiadas com o Pulitzer nos EUA, o Esso no Brasil e o internacional World Press Photo (entre as que levarem essa última premiação, a foto de 2004 feita por J. F. Diório, do Estado). Ao final de sua pesquisa, ele chegou a um número de 126 fotos, que estão na exposição Impressões Visuais: 50 Anos da Comissão Fulbright no Brasil, que será inaugurada hoje na Galeria Olido.A mostra marca o meio século do Programa Fulbright no Brasil. Criado em 1946 por lei de autoria do senador americano J.W. Fulbright, é um programa de intercâmbio educacional e cultural do governo dos EUA, que promove eventos e concebe bolsas - em seu histórico estão mais de 225 mil bolsas de estudos, pesquisa e docência a norte-americanos e de outros 150 países participantes. O Brasil entrou no programa em 1957. O próprio Kulcsár foi bolsista da comissão e daí surgiu o vínculo para fazer agora a exposição.Para contar a história da relação dos EUA com o Brasil o curador estabeleceu seis capítulos: Herança Comum (as raízes africana, indígena e européia); Política; Emoção, Força e Paixão (dedicado ao esporte); Cidadania (com prioridade para a questão racial e as turbulências da década de 1960 - ditadura e Guerra do Vietnã, por exemplo); Cultura (dentro dela o carnaval); e Meio Ambiente (a última foto da mostra é uma imagem do Planeta Terra captada por satélite da Nasa em 1992). ''''Para amarrar os capítulos, as imagens e os momentos pensei em fazer relações estéticas, temáticas e históricas'''' , diz Kulcsár. A solução expositiva pensada foi a de colocar grupos de imagens sobre 40 painéis (há alguns deles com apenas uma foto ampliada). Ao mesmo tempo, há sempre trechos de textos de bolsistas da Fulbright. Nas junções, que dão prioridade para a ''''imagética'''', como diz o curador, há sempre um sutil comentário crítico.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.