Relação recriada no cinema e na ópera

Tema incorporou-se ao imaginário

, O Estadao de S.Paulo

09 de maio de 2009 | 00h00

No longo, belo e às vezes extravagante Nixon, de Oliver Stone (Buena Vista, 1995), o relacionamento entre o presidente (interpretado por Anthony Hopkins) e Henry Kissinger (Paul Sorvino) aparece em vários momentos. Kissinger é visto ora como falcão ora como conciliador. Por exemplo é ele quem incentiva Nixon a começar os bombardeios no Camboja: "Os comunistas só entendem a linguagem da força", diz. Mas, mais tarde quando está tentando uma paz negociada no Vietnã, vê-se alvo de críticas de aliados de Nixon situados mais à direita. Nixon tenta sossegar seus pares: "Kissinger age como liberal diante dos jornalistas, mas é mais linha-dura do que todos nós", garante. Se muitas das cenas têm os dois personagens como protagonistas, a que mais fica na memória se situa perto do final do filme, quando Nixon se vê forçado a assinar a renúncia. Kissinger é quem fica com ele no gabinete e sustenta devastadora crise moral por que passa o presidente. É um momento grave, em que Nixon diz a Kissinger: "Somos iguais em muita coisa; e, no fundo, você é o único amigo que tenho." Ao final, os dois oram juntos. É um momento de grandeza do filme. Oliver Stone procura humanizar os personagens sem por isso desculpá-los. A relação entre Nixon e Kissinger aparece também com destaque em uma ópera do compositor norte-americano John Adams. Nixon in China, estreada em 1987 na Houston Grand Opera, é sua primeira colaboração com o diretor Peter Sellars e trata da visita do presidente ao país de Mao, em 1972. O libreto, descrito pelo crítico do New York Times no comentário à première da obra como "material ideal para esquetes e não para uma ópera, seja ela séria ou cômica", é de Alice Goodman. Em certa momento da trama, o presidente e a primeira-dama Pat Nixon acompanham a apresentação de uma ópera chinesa com um interminável balé, na qual o vilão é um sósia de Kissinger, "um zombeteiro desajeitado", nas palavras do crítico do New York Times.

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