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Attorney's Office/Southern District of New York
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Regras contra lavagem de dinheiro acabam com cultura do sigilo no mercado da arte

Comerciantes de arte e antiguidades no Reino Unido e na União Europeia deverão informar verdadeiros beneficiários de suas vendas

Eric Randolph, AFP

14 de fevereiro de 2021 | 12h44

Os novos regulamentos contra a lavagem de dinheiro acabarão com a cultura do sigilo enraizada no mercado da arte? O setor defende velhos hábitos de discrição que favorecem as transações.

Desde sempre, os ricos colecionadores apreciam a confidencialidade que também faz parte do universo misterioso das casas de leilão.

Hoje em dia, os reguladores da Europa e dos Estados Unidos querem acabar com a prática do sigilo, que representa também uma bênção para as redes criminosas.

As novas normas contra a lavagem de dinheiro alegam que os comerciantes de arte e antiguidades no Reino Unido e na União Europeia devem informar quem são os verdadeiros beneficiários de suas vendas.

O Congresso dos Estados Unidos aprovou uma legislação parecida que pode entrar em vigor em 2022.

Alguns casos da última década servem para justificar este aperto de parafusos: como quando o banqueiro brasileiro Edemar Cid Ferreira comprou um Basquiat por US$ 8 milhões e depois o enviou para um centro de armazenamento em Nova York com documentos alfandegários falsos que estimavam a obra em 100 dólares.

Alguns comerciantes da arte, no entanto, se queixam de serem sistematicamente descritos como iscas para os círculos criminosos. 

Investigações em lugares equivocados

"A dificuldade", explica Marion Papillon, presidente do Comitê Nacional das Galerias de Arte, "é que as autoridades reguladoras nos dizem que não há denúncias suficientes. No entanto, explicamos a eles que as pessoas não são denunciadas por não terem feito negócios com eles". 

Além disso, as pequenas galerias independentes precisam investigar os antecedentes de seus clientes como se fossem bancos.

De Londres a Paris, os donos de galeria também argumentam que os reguladores investigam em lugares equivocados, e que os criminosos vão privilegiar as transações anônimas online.

No entanto, a maior parte do mercado da arte ocidental admite que os dias de glória do clube privado confidencial já passaram, e que a opinião pública não lamentará o destino dos ricos colecionadores que perderão seu anonimato.

Com os novos regulamentos, como os comerciantes da velha escola vão se adaptar? Uma possibilidade, segundo Amy Whitaker, especialista do mercado da arte na Universidade de Nova York, é que utilizem tecnologias como o 'blockchain' para "continuar garantindo a confidencialidade enquanto se mantém um registro das compras".


 

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