Rec-Beat traz um rescaldo agitado para SP

Festival de música que já faz parte do carnaval do Recife chega à capital numa versão reduzida, mas com nomes notáveis

Livia Deodato, O Estadao de S.Paulo

27 de fevereiro de 2009 | 00h00

O Rec-Beat já se tornou tradição no Recife, tanto quanto o Galo da Madrugada. A afirmação vinda de Antônio Gutierrez, idealizador do festival que acaba de completar 14 anos (contra 31 do bloco carnavalesco que arrasta multidões todos os anos), pode ser comprovada ao contabilizar o público desta edição: entre 8 mil e 20 mil pessoas nem ligaram para a chuva que caiu sobre grande parte do nordeste neste carnaval e foram curtir o melhor da música pernambucana nos dias de folia. Programação que também adicionou nomes de destaque da cena ibero-americana, com os quais Gutie (como é mais conhecido) vem tomando contato há cerca de três anos em andanças para discutir o mercado e a produção de cada um desses países.Pois bem: um pouquinho do que foi mostrado na capital pernambucana antes das cinzas de quarta-feira será trazido para cá. Até amanhã, no Sesc Pompeia, ocorre uma versão reduzida do Rec-Beat, mas que em nada tem de proporcional quando se fala em qualidade. Hoje, às 21 h, apresenta-se a pernambucana Catarina Dee Jah, que parece ter encontrado a medida exata da mistura do kuduro com o despretensioso tecnobrega, seguida pela banda colombiana Bomba Estereo, que abusa de batidas eletrônicas somadas a ritmos regionais como a cumbia, bullerengue e champeta.Amanhã será a noite dos DJs latinos - o já consagrado DJ Dolores, cuja apresentação será focada em seu álbum mais recente, 1 Real, vai esquentar a Choperia para logo depois dar espaço ao chileno Original Hamster, codinome de Vicente Sanfuentes, que não tem medo de fazer apostas desde o funk até o folk. "Há cerca de três anos, realizamos uma versão do Rec-Beat em São Paulo, mas foi fora de época e com atrações diferentes das que tínhamos levado para Recife. É a primeira vez que iremos aproveitar o rescaldo e continuar o carnaval por aqui", diz Gutie, que foi parar no Recife há cerca de 20 anos como correspondente do jornal Gazeta Mercantil e não saiu mais de lá.O outrora jornalista e atual agitador cultural acredita que a edição paulistana vai tanto ajudar a esclarecer a errônea interpretação que limita o Rec-Beat como um festival de rock, como oferecerá atrações inesperadas para quem não pôde sair de São Paulo durante o feriado. O festival patrocinado pela prefeitura do Recife será viabilizado por aqui graças ao Sesc. "O Rec-Beat nasceu sob o conceito multicultural, nunca fomos focados no rock. É uma grande celebração que visa a oferecer música de qualidade, mas que geralmente não encontra espaço para ser ouvida", sentencia Gutie.O festival, cujo título é uma abreviação de Recife e hifeniza com a batida na língua inglesa, espera alcançar por aqui a mesma credibilidade que conquistou na terra de Chico Science e Cordel do Fogo Encantado. Nunca ouviu falar em tal banda? O espírito é arriscar. Você não vai se arrepender. ServiçoRec-Beat.SP. Sesc Pompeia. Rua Clélia, 93, Pompeia, telefone 3871-7700. Hoje e amanhã, às 21 horas. Ingressos R$ 20 a R$ 5

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