Razões para amá-los

Eles acabaram com essa história de que roqueiro tem de ser machão, falastrão, vestir-se como um herói de quadrinhos, dizer palavrões a cada frase. São apenas caras comuns de camiseta e tênis que fazem boa música. Não rendem notas para o The Sun.Deram o golpe de misericórdia na indústria musical, acostumada a espoliar os consumidores com preços abusivos na venda de música. Colocaram seu disco In Rainbows na rede para que o consumidor pagasse aquilo que achasse justo. Nada mais foi o mesmo depois daquilo.Eles têm a habilidade e a coragem de juntar Queen e Smiths, Cat Stevens e drum?n?bass. Thom Yorke eleva o falsete à condição de arte sanguínea. Eles não ficam lustrando o ideário psicodélico da era hippie, criam um som que vai adiante, que pode eventualmente misturar uma seção de cordas atonal (caso de How to Disappear Completely) com órgãos de música de cerimônia solene (caso de Motion Picture Soundtrack).Thom Yorke não faz letra para convencer adolescente babão a usar óculos escuros: ele escreve para cutucar sentimentos adormecidos. "Você quebrou outro espelho, você está se tornando algo que você não é", diz a letra da belíssima High & Dry.Thom Yorke não é o clássico herói autista do rock, não fica isolado numa bolha. Pelo contrário, dialoga com a música e os músicos do seu tempo. Gravou faixas fantásticas com P.J. Harvey e com o Drugstore. Só não se presta à idolatria, à mitomania do show biz.Têm apreço pela literatura e artes visuais (suas capas de discos são um arraso), mas também pela cultura pop (Paranoid Android é referência ao livro Mochileiro das Galáxias, de Douglas Adams). Fazem um som claustrofóbico? Sim, mas quem vai fundo na arte sabe que há um preço a ser pago. TEXTO CONSTRUÍDO A PARTIR DE ELOGIOS MAIS COMUNS AO RADIOHEAD

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