Quixote da Paidéia busca ser espelho para sonhos dos jovens

Crítica à influência dos livros de Cavalaria é aspecto ressaltado nessa montagem

Beth Néspoli, O Estadao de S.Paulo

15 Agosto 2008 | 00h00

Numa cidade de múltipla oferta teatral como São Paulo, não raro há mais de uma versão do romance Dom Quixote, de Cervantes, nos palcos. Neste momento, está em cartaz até uma versão sem palavras, da Cia. dos Imaginários, no Teatro Denoy de Oliveira e outro de rua, no repertório da Cia. São Jorge, que pode ser visto em diferentes pontos da cidade. Pois esse inesgotável romance ganha agora mais uma leitura cênica, desta vez voltada para o público jovem. Com texto do premiado autor alemão Lutz Hübner, criador das peças O Coração de Um Boxeador e Nellie Goodbye, traduzido por Christine Röhrig e dirigido por Amauri Falseti, o Dom Quixote, da Cia. Paidéia estréia hoje no Pátio dos Coletores de Cultura. Localizado no Alto da Boa Vista o espaço - onde o grupo apresenta seus espetáculos e abriga 150 alunos em cursos de teatro, canto coral e oficinas diversas - tem esse nome porque ocupa um galpão que no passado serviu para guardar carroças, burros e cavalos dos coletores de lixo. Por que mais uma adaptação do romance? "A primeira razão é porque ele é mesmo infinito em suas possibilidades de espelhar aspectos da vida", diz Falseti. "E, depois, porque esse é o objetivo do grupo: fazer a gente se conhecer a partir do que vê no palco." Levar jovens a pensar sobre si mesmos é o que ele e os atores da Paidéia, companhia criada em parceria com a atriz e também diretora Aglaia Pusch, vêm fazendo há 25 anos. Faseti ressalta que Quixote foi criado como crítica aos livros de Cavalaria, essa literatura fantasiosa com seus códigos de honra, suas musas adocicadas. Mas o livro extrapolou as intenções do autor. "Quem é Quixote? Um fidalgo influenciado pelos livros de Cavalaria. Seu sonho é ser um desses heróis. Um sonho genuíno ou imposto? Essa é um reflexão importante de ser provocada nos jovens", observa o diretor. Mas se a crença cega do fidalgo no que leu é ridícula, e perigosa, é admirável sua luta por ela. Falseti compara Quixote ao adolescente, alguém que "se acha", pensa que pode tudo, sonha alto, e tende a ser ridicularizado pelos adultos. "A idéia é levar espectador a olhar aquela figura e refletir sobre até que ponto o seu próprio sonho é genuíno. Por outro lado, nossa montagem sugere que devemos buscar sempre um sonho, lutar por mudança." Idéias que ganham tradução cênica lúdica e bem-humorada. Serviço Dom Quixote. 75 min. 12 anos. Pátio dos Coletores de Cultura (130 lug.). R. Darwin, 153, 5522-1283. Sáb., 20 h; dom., 18 h. R$ 12. Até 28/9

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.