Quem é que tem medo do barroco brasileiro?

Percival Tirapeli ?invade? nossas igrejas e lança livro luxuoso

Camila Molina, O Estadao de S.Paulo

27 de fevereiro de 2009 | 00h00

Depois de publicar, em 1999, o livro As Mais Belas Igrejas do Brasil, a editora Metalivros se empenhou em fazer um outro volume abrangente sobre o mesmo tema, tal é o fascínio que ele exerce, mas, para modificar e oferecer uma nova edição, pediu que o professor e historiador Percival Tirapeli se centrasse no campo específico do barroco brasileiro. O resultado é um livro de fôlego, Igrejas Barrocas do Brasil (336 págs., R$ 180), que contempla com texto e pesquisa de Tirapeli e mais de 360 fotografias construções do Norte ao Sudeste do País, fazendo ultrapassar a ideia arraigada de que o barroco é próprio de Minas Gerais, das cidades históricas de Ouro Preto, Congonhas e Sabará, por exemplo."O modernismo, iniciado em 1922, pode ser considerado a gênese do longo processo de revalorização do barroco dentro do contexto da arte brasileira", escreve Tirapeli logo no início do livro para apresentar que foi apenas no século 20 que pesquisadores e historiadores deram início ao resgate e documentação de obras de um período longínquo (de desde o século 16, mas criadas ao longo de outros séculos também) e ao mesmo tempo tão importante na história brasileira - uma referência sempre presente e citada é a obra A Arquitetura Religiosa Barroca no Brasil, publicada por Germain Bazin em 1955. O livro é didático ao colocar como capítulo introdutório Origens das Vilas Coloniais Brasileiras e depois detalhar e descrever as construções de todo o País separando-as por regiões e por Estados: Nordeste: século 16-19 (Pernambuco, Bahia, Alagoas, Paraíba, Sergipe e Rio Grande do Norte); Norte: século 17-18 (Pará); e Sudeste: século 16-19 (Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais).O historiador Percival Tirapelli visitou e pesquisou as igrejas entre novembro de 2007 e julho de 2008. Nesta edição bilíngue (português/inglês) as construções são apresentadas com suas datas de edificação, com o nome do arquiteto ou do autor do projeto, sua localização, breve texto histórico, assim como informações sobre os entalhadores e artistas que participaram dos seus adornos. Ao mesmo tempo, há sempre imagens de páginas inteiras, de suas fachadas, interiores e detalhes arquitetônicos. É interessante poder comparar a suntuosidade de algumas edificações com a simplicidade de outras, tanto de cidades conhecidas como de localidades do interior dos Estados.

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