Queijeiros sem fronteiras

PERSONALIDADE DO ANO

, O Estadao de S.Paulo

02 de dezembro de 2008 | 00h00

Os queijos podem definir o caráter de uma região. Os franceses que o digam: torcem e defendem os seus como desportistas num campeonato. A arte de transformar leite e coalho em sabores amplos que vão da pungência de um reblochon à untuosidade de um brie, dos intensos queijos de cabra aos mais domesticados de vaca de massa dura, tem séculos. Airton Gianesi e Jorge Nogara, da Capricoop (Paulo Capri, Chèvre d?Or e Serra das Antas) construíram um pequeno enclave gaulês no sul de Minas e no interior de São Paulo. De lá saem francesices lácteas, mas igualmente outras expressões européias da queijaria, como feta e parmigiano. Desta missão de civilização já começam a aparecer outros frutos. Quem duvida que a tradição também se inventa e de tanta mistura aparecerão queijos brasileiros antes inexistentes? Bueno Brandão vai ser a matriz de uma indústria pequena e focada, a dos queijos brasileiros de qualidade. E também do reconhecimento aos queijos já existentes no País, como o da Serra da Canastra e do Serro, em Minas Gerais. Valorizando esse trabalho, o Prêmio Paladar de personalidade do ano vai para estes produtores/inventores. Gianesi estudou na França, aperfeiçoa-se anualmente, investiga leveduras, não tem medo de errar, mas acerta mais que se equivoca. Não tem medo de criar problemas e desafios. E o entusiasmo de Nogara faz com que a dupla, lentamente, firme um nome notável no setor, nome que já virou referência. Artesanatos e estratégias de mercado à parte, eles são verdadeiros construtores do queijo brasileiro.

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