Quando o medo distorce boas ideias para justificar a violência

Esse é o mote da peça A Prudência, do argentino Claudio Gotbeter, interpretada por Eduardo Estrela e Davi Taiu

Beth Néspoli, O Estadao de S.Paulo

04 de março de 2009 | 00h00

Praticamente desconhecido no Brasil, o dramaturgo argentino Claudio Gotbeter tem 52 anos e é reconhecido em seu país por suas comédias de humor negro. Uma delas, A Prudência, estreia hoje às 21 horas no Espaço dos Satyros. Davi Taiu e Eduardo Estrela são a um só tempo atores e diretores do espetáculo e interpretam Margaritha e Trinidad duas amigas à espera da visita de uma terceira, Nina."Eu passei uma temporada em Buenos Aires, comprei vários textos teatrais e A Prudência eu li ainda no hotel, num só fôlego", diz Eduardo Estrela. A peça despertou o mesmo fascínio em Davi. "Depois de muito conversar nos demos conta de que já tínhamos uma concepção e não havia motivo para convidar um diretor." Antes de mais nada eles avisam que em nenhum momento tentam ?imitar? mulheres. "Os atores são homens, as personagens não, e quando o público entra no pacto isso não faz mais diferença", afirma Estrela.No palco dos Parlapatões, montam um tablado que delimita a área de representação, bem pequena, vestem os figurinos sobre uma roupa básica, arrumam os poucos objetos de cena, tudo diante do público. Assim, gradativamente, o código teatral se estabelece. Do que trata a peça exatamente? "É noite de réveillon e elas esperam a amiga para celebrar juntas, mas quando toca a campainha bate a paranoia urbana. E se for um ladrão?" Elas lembram então que recentemente houve um arrastão no prédio. Começa aí uma série de ações que tangenciam o absurdo, mas são muito reais, poderiam acontecer no apartamento vizinho ao nosso."Mas o que interessa, o que a peça permite pensar, é a forma como elas se apropriam de conceitos como legalidade, moralidade e direitos da pessoa humana para distorcê-los e assim justificar atos violentos", diz Estrela. A comédia, que tem apenas 50 minutos, trata o tema com leveza, garante o ator. "É um dos méritos do texto, abordar questões, mas deixa o espectador sair do espetáculo fazendo perguntas a si mesmo. A magia está nos desdobramentos que propicia."A dupla promete ainda uma "surpresa teatral" na representação da Nina, que é feita por eles, por meio de um recurso de linguagem e não é projeção em vídeo. "Esse é o nosso desafio, manter essa personagem presente." ServiçoEspaço Parlapatões. (100 lug.) 50 min. Praça Roosevelt, 158. tel. 3258-4449. 4.ª, 21 h. R$ 20. Até 29/4

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