Qual a cara da nova produção erudita brasileira?

Projeto inédito reúne 15 compositores jovens e tenta responder à pergunta

João Luiz Sampaio, O Estadao de S.Paulo

24 de junho de 2009 | 00h00

Um concerto na noite de hoje vai revelar um pouco da cara que tem a nova música brasileira. Resultado do projeto Música Plural, a apresentação vai levar ao palco o Percorso Ensemble, regido por Ricardo Bologna, para executar a obra de 15 jovens compositores, que será lançada em disco em julho.O projeto foi idealizado pelos compositores Leonardo Martinelli, Matheus Biondi e Arthur Rinaldi. "A ideia surgiu quando ainda fazíamos nosso mestrado na Unesp", conta Martinelli. "O ponto de partida era a possibilidade de realizar um caleidoscópio da geração de compositores que hoje estão na faixa de 30 anos. Trata-se de uma geração que se formou já longe do calor da briga entre as vanguardas e os nacionalistas, em uma cena musical complexa e cheia de caminhos, uma geração mais pacífica, em que as divergências estéticas do outro são tratadas de forma respeitosa, com menos violência do que nos anos 60 e 70. É uma geração muito produtiva, que está viajando, ganhando prêmios, mas, no entanto, é pouco tocada e difundida aqui."Sobre o critério de escolha, Martinelli diz que foi esse respeito às múltiplas tendências o norte a ser alcançado pelo projeto. "Decidimos não adotar nenhum critério estético por acreditar que qualquer coisa nesse sentido resultaria em um enviesamento. Optamos por realizar um panorama geográfico, com compositores nascidos ou residentes em diferentes cantos do País, como São Paulo, Rio, Paraíba, Rio Grande do Sul, ou mesmo fora dele, nos EUA, na França e na Áustria. Procuramos convidar pessoas de diversas tendências, deixando ao público espaço para que faça suas escolhas." Além do próprio Martinelli, participaram do projeto os compositores Felipe Lara, Bruno Ruviaro, Tatiana Catanzaro, Thiago Cury, Fernando Riederer, Alexandre Schubert, José Orlando Alves, Januíbe Tejera, Marcus Siqueira, Arthur Rinaldi, Matheus Bitondi, Guilherme Nascimento, Sérgio Roberto de Oliveira e Neder Nassaro.E qual o balanço que se tira do trabalho desse grupo? É o compositor Gilberto Mendes que, em depoimento sobre o projeto, oferece uma resposta possível. "Interessante observar como a velha neuemusik (movimento de vanguarda alemã dos anos 50 e 60, do qual fez parte Mendes), que era basicamente voltada à rigorosa estruturação das velhas notas musicais, cedeu lugar, em seu desenvolvimento dialético, a uma música como que novamente ?inspirada?, feita de manchas, estilhaços, espichamento de sonoridades, numa fluidez por vezes até macia de ruidosas complicações timbrísticas. De certo modo, um novo, mas complexo, impressionismo musical."

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