REUTERS/Dmitri Lovetsky/Pool
REUTERS/Dmitri Lovetsky/Pool

Putin propõe estabelecer critérios claros sobre censura na arte

O chefe do Kremlin fez um paralelo com o esporte e sugeriu que o mundo da cultura também precisa "estabelecer critérios" do que se pode ou não fazer

EFE

02 de dezembro de 2016 | 16h53

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, sugeriu nesta sexta-feira estabelecer critérios claros sobre o que se pode censurar na arte e na cultura, ao reunir-se com personalidades do mundo artístico russo na cidade de São Petersburgo.

O chefe do Kremlin respondeu com essa proposta às queixas do ator e diretor de teatro Evgueni Mirónov, que advertiu que nos últimos anos aumentaram os casos de censura à arte, segundo a imprensa da Rússia.

Mirónov deu como exemplo o recente cancelamento da estreia da peça "Jesus Cristo Superstar" em Omsk, depois que ativistas cristãos se queixaram com a prefeitura da cidade siberiana.

Putin traçou um paralelo com o esporte, onde existem regras bem definidas, e sugeriu que o mundo da cultura também precisa "estabelecer critérios" do que se pode ou não fazer.

"Não é uma tarefa fácil, mas seria muito bom que vocês, não nós, pudessem fazê-lo. E assim seria mais fácil frear as autoridades que passarem dos limites", disse o presidente russo.

Embora "a liberdade artística seja inabalável", ressaltou Putin, "todas as liberdades têm um revés, que é a responsabilidade, e para o artista a medida dessa responsabilidade é especialmente alta".

O líder russo manifestou que a cultura deve respeitar a sensibilidade de alguns setores da população, incluindo os adeptos de diferentes religiões, e ter cuidado para não semear ódio e divisão.

Muitas autoridades, disse Putin, censuram a arte "não porque queiram conter alguém, mas porque não querem que se repitam aqui tragédias como a Paris", quando um grupo de radicais islâmicos organizou um massacre na redação da revista satírica "Charlie Hebdo" depois da publicação de caricaturas de Maomé.

Há três anos, o presidente russo sancionou uma lei que pune com até três anos de prisão as ofensas aos sentimentos religiosos.

A lei foi aprovada depois que três jovens integrantes do grupo punk Pussy Riot foram condenadas a dois anos de prisão por "vandalismo motivado por ódio religioso" após cantarem contra Putin no principal templo religioso do país.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.