Público participa da peça durante a improvisação

Débora Bloch conta que se alimenta da troca que mantém com espectadores

Ubiratan Brasil, O Estadao de S.Paulo

01 de outubro de 2008 | 00h00

O contato direto com a platéia é um dos principais desafios (e também estímulo) para Débora Bloch, em Brincando em Cima Daquilo. Há cenas, como A Volta ao Lar, que acontecem em meio aos espectadores. "Esse foi o primeiro caminho escolhido por Otávio (Muller, o diretor) e por Amir Haddad, que auxiliou na dramaturgia: abrir para a platéia", conta a atriz, que recebeu uma infinita liberdade de ação. "Eles me diziam: ?Você pode tudo, fale o que quiser.?"Para testar o espetáculo, Débora e Muller decidiram primeiro encenar em uma comunidade carioca, o Nós no Morro. A atriz se lembra do local improvisado, palco pequeno, cadeiras de plástico. "Eu queria fazer para mulheres que levam porrada do marido, que não têm dinheiro para o aborto, que vão parar em motel fuleiro, ou seja, personagens que mostro no palco", conta. "E o resultado foi revelador, entendi sobre quem eu estava falando. Era quase um diálogo entre a gente."Em seguida, a peça foi a Niterói, Porto Alegre e zona sul do Rio, antes de chegar hoje a São Paulo. Nessas viagens, colecionou uma série de histórias engraçadas. Veja algumas:- a atriz recebe o público com uma roupa simples, típica de ensaio. Certa vez, uma mulher perguntou, quando Débora se dirigia para o palco: "Você não vai trocar de roupa?"- em outra apresentação, um homem cochichou para ela: "No Tio Vânia, você usava um figurino tão sofisticado mas, agora, está tão diferente, né?"- a platéia masculina também surpreende. Em certo momento da peça, Débora, imitando o marido de uma moça que engravidou, diz que esse problema é da mulher. "Percebi que vários homens confirmam com a cabeça!"- a relação direta, às vezes, empolga certas pessoas. Em uma apresentação, Débora percebeu que um homem interferia em todas suas falas, quando ainda estava na platéia. "Nossa, você entende de tudo, né?", brincou ela, conseguindo acalmar o ânimo do espectador. Preste Atenção... ...na trilha sonora, apenas com canções brasileiras, rasgadamente romântica e totalmente adaptada à história: vai de funk a Roberto Carlos. ...no cenário, quase inexistente: quatro caixas de som espalhadas pelo palco, além de elásticos que marcam o espaço de atuação, mas que adquirem personalidade à medida que as histórias são contadas. ...na brincadeira com os figurinos: um pedaço de pano que serve como cobertor em uma cena é transformado em capa preta na seguinte. ...na homenagem às grandes comediantes brasileiras. Em uma cena, por exemplo, ela apresenta o mesmo despojamento de Dercy.

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