''Prometo uma Bienal impactante''

Presidente eleito da instituição, Heitor Martins fala do processo de lidar com as dívidas e pensar na 29.ª edição, para 2010

Camila Molina, O Estadao de S.Paulo

27 de junho de 2009 | 00h00

Quando eleito, em 28 de maio, presidente da Fundação Bienal São Paulo, o empresário Heitor Martins afirmou que seu projeto de revitalização do nome da desgastada instituição seria feito tendo como força motriz a realização da próxima edição da mostra, em 2010, com um orçamento entre R$ 20 e 25 milhões. Menos de um mês de trabalho no projeto já levou a prospecção de orçamento saltar para o patamar de R$ 40 milhões, como afirmou Martins, ontem, ao Estado. "Estamos trabalhando com a ideia de R$ 30 milhões para a realização da mostra e R$ 10 milhões para manutenção do edifício, inclusive com obras de climatização do prédio, custeio da instituição e trabalhar no acervo histórico." A captação poderá ser feita até o fim de 2010.Entre os dias 10 e 15 de julho será anunciado o curador da 29ª Bienal de São Paulo, neste momento, programada para ocorrer entre outubro e dezembro do próximo ano, e os responsáveis pelos projetos educativo e arquitetônico da exposição. O slogan é que a mostra seja uma Bienal que promova "um debate plástico que envolva e encante o público" - "impressionante, desejada, impactante, alegre, fora do comum, bela" são algumas das expressões usadas para a 29ª exposição: a proposta é mesmo atrair a marca milionária de visitantes.Vai depender da escolha do curador - que ainda indicará cocuradores (como já afirmou Martins, sua ideia era de que um deles fosse estrangeiro, possivelmente, latino-americano), mas trabalha-se com a hipótese de que a mostra tenha entre 100 e 150 artistas. "Entraremos em agosto com a equipe completa." Martins ainda menciona que há previsão de serem usados R$ 5 milhões apenas no programa educativo da 29ª Bienal. O curador-geral ainda da edição vai selecionar, entre os participantes da mostra, os artistas que representarão o Brasil na próxima Bienal de Arte de Veneza.Dentro do projeto, mais concreto agora, foi feita recentemente, na Pinacoteca, uma reunião com diretores de cerca de 20 instituições culturais paulistanas, para se coordenar "o calendário das exposições" do período da 29ª Bienal e ainda promover, nesses espaços, mostras contemporâneas que tenham alguma relação com a temática do evento. Também a equipe centra seus esforços para tratar da questão da itinerância de segmentos da 29ª Bienal pelo Brasil e pelo exterior.TRANSIÇÃODesde que foi eleito presidente da Fundação Bienal de São Paulo, Martins e sua equipe trabalham na fase em que estipulou como de transição entre sua gestão e a de Manoel Pires da Costa, que, formalmente, ainda responde pela instituição. A posse de Martins ocorre depois desse processo, possivelmente, daqui a duas semanas.Em se tratando de números desse balanço, a 28ª Bienal, realizada entre outubro e dezembro do ano passado, apelidada de "Bienal do Vazio" e reflexo máximo da crise da instituição, custou R$ 11 milhões, deles captados R$ 9 milhões - a dívida dela fica sendo de R$ 2 milhões ainda. "O projeto da 28ª era de R$ 10 milhões a serem captados por meio da Lei Rouanet e R$ 1 milhão por emenda de bancada", afirma Martins. Dessa dívida, sua meta primeira é zerar os cerca de R$ 300 mil referentes a pagamentos atrasados a artistas e palestrantes da última edição. Esse valor será captado por meio de lei de incentivo. "Há ainda R$ 1 milhão de dívida bancária, mas se trata de linhas de crédito, algo comum", diz Martins, sócio-diretor da empresa de consultoria McKinsey. Também já deve sair na próxima semana a verba de R$ 1,8 milhão da Prefeitura de São Paulo para manutenção da instituição em 2009.Segundo o presidente eleito, neste processo de transição não foi encontrado nada que o tenha surpreendido, relacionado às contas da instituição. "O trabalho com Manoel Pires da Costa e com a equipe anterior tem sido muito colaborativo. A única novidade é que recebemos um pedido de informações do CGU (Controladoria-Geral da União), que no fim de 2007 e início de 2008 realizou uma auditoria dos convênios públicos com a Bienal de desde 1999", conta. "Recebemos solicitação de informações adicionais de 13 convênios de um período longo, de dez anos, desde a gestão de Carlos Bratke, fim da gestão de Edemar Cid Ferreira. Vemos isso com muita naturalidade", diz.

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