Reprodução/Wagner Loud
Reprodução/Wagner Loud

Projeto transforma rappers brasileiros em super-heróis de HQs

As ilustrações serão expostas neste sábado, 20, no espaço Central Panelaço, no bairro Bela Vista, em São Paulo

Caio Faheina, especial para O Estado de S. Paulo

19 Outubro 2018 | 17h08

A cantora Negra Li teria semelhanças com Ororo Munroe, a mutante Tempestade de X-Men? Luke Cage, primeiro herói negro a ter uma revista própria pela Marvel, poderia ser representado pelo carioca MV Bill? E se o rapper e poeta paulistano Rincon Sapiência fosse representado como o jovem herói dos anos 2000 Super Choque? Na imaginação do ilustrador Wagner Loud e do youtuber Gil Santos, do canal LØAD Comics, enxergar artistas do rap nacional como personagens poderosos das histórias em quadrinhos não é só possível, como real.

No projeto Rap em Quadrinhos, os artistas homenagearam 23 rappers do cenário brasileiro – a grande maioria negros – com ilustrações que se relacionam com capas históricas de HQs. As ilustrações serão expostas neste sábado, 20, no espaço Central Panelaço, no bairro Bela Vista, em São Paulo. A mostra é gratuita e segue até o fim de outubro.

“Todos os artistas são pessoas com quem temos afinidades musicalmente. E a gente tenta não fazer o desenho só pelo desenho, mas relacionar as personalidades de cada um com os personagens das histórias”, diz Loud. “O (rapper) Kamau, por exemplo, também é professor de matemática e quase ninguém sabe disso. Por isso colocamos ele como o (mutante) Fera, de X-Men, que é cientista”.

Na produção, dois grandes cantores foram homenageados. O rapper Sabotage e a ex-vocalista do grupo Visão de Rua, Dina Di, artistas que modificaram a cena brasileira da cultura hip hop, foram retratados como os personagens Doctor Manhattan, de Watchmen, e Jessica Jones. “Dina Di (que morreu em 2010, aos 34 anos) foi uma das primeiras mulheres a estar na linha de frente do rap. Ela teve o empoderamento da personagem. Não seria uma homenagem se ela e Sabotage não tivessem (sido representados)”, enfatiza o ilustrador.

“O Sabotage mudou todo o conceito do rap e depois foi embora (ele foi assassinado em 2003). Quem fez isso nos quadrinhos? O Watchmen, na década de 1980! Manhattan mudou os balões de pensamentos e a das HQs, e foi embora”, continua Gil, que foi responsável pela curadoria dos rappers e personagens.

Concepção. A ideia do projeto surgiu após Santos visitar uma exposição de Loud, em dezembro passado, onde o designer comparava cantores do cenário punk rock a ícones dos quadrinhos. Foi quando o youtuber sugeriu uma parceria para fazer o mesmo projeto, mas desta vez com os rappers. “A gente começou a prestar atenção nas letras de rap, nas referências, e traçamos um paralelo melhor com as HQs do que o que aconteceu com o punk rock”, avalia o ilustrador de 27 anos.

Essa relação entre o rap e a arte, avalia o rapper e beatmaker Kamau, um dos homenageados, é utilizada rotineiramente como “válvula de escape” ou “via de protesto” em suas produções. “Não só pra quem tem as rimas como ‘superpoder’, mas também pra quem traça esse paralelo de realidades. Fico feliz em ser retratado nesse viés”.  

Antes de ver sua ilustração, Rincon Sapiência já via o projeto com “positividade e orgulho”. Quando recebeu o material, o rapper disse que a admiração pelo trabalho se potencializou. “A criatividade que eu tenho para compor, fazer rap, ter um pensamento lúdico, criar personagens, levo para fazer a minha música. E tudo passa muito pelos quadrinhos”.  

As ilustrações serão vendidas a R$ 20 cada. Os posters têm formato A3 (297 x 420 mm). 

Confira os artistas homenageados:


 

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