Procuram-se pessoas que amavam o polaco

Produtores querem entrevistar muitos artistas que conviveram com o ator-diretor

O Estadao de S.Paulo

07 de setembro de 2004 | 00h00

Dois parceiros poloneses trabalham com Ursula Groska na realização do documentário sobre Zbigniew Ziembinski. Ambos estiveram no Brasil, em abril, durante a realização do É Tudo Verdade - Festival Internacional de Documentários. "Os dois me assessoraram na curadoria que fiz da retrospectiva da mostra de Krisztof Kieslowski para o Amir Labaki", ela conta. Zbigniew Domagalski é um dos mais importantes produtores poloneses da nova geração, tendo sido indicado para o Oscar de melhor filme estrangeiro por How You Do It, um filme metalingüístico sobre uma equipe que tenta garantir que seu projeto seja selecionado pela Academia de Hollywood. Veja galeria de fotos sobre a carreira de ZiembinskiDomagalski entra com metade da produção orçada em R$ 1,4 milhão - o restante Úrsula capta no Brasil, estando em negociações com a Rio Bravo, investidora de filmes como Olga e Querô. O outro parceiro na Polônia é o diretor e roteirista Krszystof Wierzbicki, de I?m So-So, documentário sobre Kieslowski que foi exibido no É Tudo Verdade. "Ele está localizando pessoas que conheceram Ziembinski ou que com trabalharam com ele em 1964, quando voltou à Polônia para montar O Boca de Ouro e Vereda da Salvação, duas peças de Nelson Rodrigues e Jorge Andrade que não fizeram sucesso nem de crítica nem de público. Ziembinski havia se apresentado como pai do teatro brasileiro. Desgostoso, voltou ao Brasil para fazer TV", Úrsula conta.Contar a história dessa vida que atravessa um oceano e faz ponte entre duas culturas, dois continentes, não virou só uma obsessão de Úrsula. Seu marido, o psiquiatra e dramaturgo Reinaldo Mesquita, foi fundo na dissecação da personalidade do artista e escreveu um argumento que foi apresentado a Kiko Goifman. O cineasta apoiou-o integralmente, achando que pode resultar num trabalho intrigante e inovador.Um documentário com roteiro? A essência do documentário é sempre aquele elemento de surpresa - o diretor não sabe nunca, exatamente, o filme que vai fazer. João Moreira Salles mudou o rumo de Santiago e fez outro filme, 14 anos depois. Kiko está entusiasmado. Vêm mais documentários nas bordas da ficção, por aí.

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