Primavera feita de filas nas portas de museus em Paris

Há várias mostras, como as de Beatriz Milhazes, Kandinsky, Warhol e De Chirico

Andrei Netto, O Estadao de S.Paulo

15 de maio de 2009 | 00h00

A exposição de Beatriz Milhazes na Fundação Cartier não é um acontecimento isolado em Paris. Ela tem o privilégio de fazer parte de uma safra de eventos culturais singular até para a capital francesa. Neste momento, mais de uma dezena de grandes mostras de pintura, escultura e fotografia leva milhares de pessoas a museus como o Grand Palais, o Centro Pompidou e o Quai Branly. Um dos maiores destaques da temporada de primavera na Europa é Andy Warhol. O homem que sintetizou a pop art é revisto em retrospectiva que explica o princípio da repetição celebrizado pelo artista. Mais de 100 mil visitantes estiveram no Grand Palais nos primeiros 20 dias de portas abertas.O abstracionismo do pintor russo Vassily Kandinsky é outro a atrair milhares de espectadores ao Centro Pompidou. O sucesso da mostra Jaune Rouge Bleu (Amarelo Vermelho Azul) se explica pela reunião única dos três maiores acervos do pintor, guardados pela Städtische Galerie, de Munique, pelo Guggenheim de Nova York e pelo Pompidou.A riqueza de alternativas joga às sombras mostras singulares. Relegado ao Museu de Arte Moderna, o pintor italiano Giorgio de Chirico recebe na cidade - pela primeira vez em 25 anos - retrospectiva com 170 de suas "pinturas metafísicas".E há ainda o renascentismo do italiano Lippi, no Museu de Luxemburgo, o romantismo de Willian Blake, no Petit Palais, e os anos parisienses de Alexander Calder, além de Une Image Peut Cacher Une Autre (Uma imagem pode esconder uma outra), sobre as mensagens semióticas de pintores como Dalí. Além da pintura, os admiradores da fotografia têm pelo menos duas grandes opções: a primeira no Museu d?Orsay, é Voir l?Italie et Mourir (Ver a Itália e morrer), imagens das ruínas de Roma feitas no século 19 com os primeiros aparelhos fotográficos, os daguerreótipos, que marcam o "grande retorno" dos europeus à Itália, revigorando a fonte de inspiração dos pintores do século 16. A segunda, Controverse (Controvérsia), na Biblioteca Nacional da França, exibe fotos que despertaram a polêmica mundial, como as do italiano Oliviero Toscani para a Benetton. Já os aficionados pela escultura podem redescobrir, em Oublier Rodin? (Esquecer Rodin?), as influências, às avessas, que a obra de Rodin produzia em artistas clássicos como Maillol, Bernard e Lehmbruck e modernos como Duchamp e Brancusi. Membros da "nova geração" de escultores entre 1905 e 1914, eles queriam se emancipar do gênio de Rodin e buscar novos rumos para sua arte.E para quem ama música há no Quai Branly Le Siècle du Jazz (O Século do Jazz), mostra criada pelo filósofo e crítico de arte Daniel Soutif que recupera o gênero como fenômeno cultural e prova suas relações com as artes gráficas do século 20.

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