Carolina Andrade
Carolina Andrade

Prêmio APCA tem cerimônia online em sua 64ª edição

Artistas receberam previamente a estatueta criada por Francisco Brennand e enviaram mensagens gravadas

Ubiratan Brasil, O Estado de S.Paulo

29 de junho de 2021 | 05h00

A Associação Paulista dos Críticos de Arte, a APCA, promoveu a festa de entrega de prêmios de sua 64ª edição na noite da segunda, 28, aos melhores do ano passado. Na verdade, foi uma cerimônia não presencial e previamente gravada, com as apresentadoras (as atrizes Cris Rocha e Nilceia Vicente e a vice-presidente da entidade Edianez Parente) falando desde o Teatro Sérgio Cardoso. Os artistas premiados também receberam seus troféus com antecedência e gravaram mensagens de agradecimento, que foram apresentadas tão logo seus nomes foram citados pelas mestres de cerimônia.

“A união de nossos artistas provou mais uma vez que juntos somos mais fortes e que sempre sairemos vencedores. Tudo isso acabou oferecendo aos críticos da APCA um outro olhar para a produção artística, agora com o território ampliado pela virtualidade”, diz Celso Curi, presidente da APCA. 

Foram premiados artistas de dez categorias (arquitetura, artes visuais, cinema, dança, literatura, música popular, rádio, teatro, teatro infantojuvenil e televisão), mas em menor quantidade em relação às premiações passadas – cada área escolheu, em média, três vencedores devido ao forte impacto nas atividades artísticas, com algumas delas tendo sofrido paralisação por diversos meses do ano passado.

Desta forma, foi comum o tom de resistência nos discursos de agradecimento. “Esse prêmio assume valor especial em tempos de luta, miséria e medo”, observou Gita Guinsburg, comandante da editora Perspectiva e cuja premiação na categoria Trabalho Editorial representou a atuação do mercado brasileiro diante das dificuldades impostas pela pandemia. “Os editores sabem que desvendar novas ideias e novos horizonte são a arma contra o medo e a miséria.”

Foi nessa linha que Marcelo Adnet, cujo Sinta-se em Casa foi escolhido o melhor programa de humor da televisão, construiu seu agradecimento. “O momento é difícil para a cultura no Brasil e poder falar com o brasileiro nessa hora deve ser celebrado, pois nós, humoristas, conseguimos fazer humor em tempos de cólera”, comentou.

A aventura de trabalhar contra adversidades também foi lembrada pelo jornalista Pedro Bial, apresentador do melhor programa de TV de 2020, segundo os jurados, Conversa com Bial. “Na pandemia, saímos do ar, mas decidimos voltar o mais rápido possível usando os recursos da internet”, comenta. “Havia uma demanda pela prática do diálogo, apesar da separação física, e isso garantia a prática democrática. Juntos em um projeto de nação, em nome do futuro no qual estamos comprometidos.”

Dificuldades não faltaram também para o trabalho realizado pelo escritor e artista plástico Nuno Ramos, que, em parceria com o grupo cênico Teatro da Vertigem, elaborou o projeto Marcha à Ré, escolhido para o prêmio Fronteiras da Arquitetura. “Foi um trabalho feito a quente, enfrentando as dificuldades da ocupação urbana”, observou. “Mas a parceria com o Vertigem, realizada durante a instalação da pandemia com sua capacidade de dano, deu uma característica especial ao projeto.”

A premiação provocou ainda momentos de grande felicidade, como o de Caetano Veloso, autor da melhor live de 2020. “Ela foi linda por causa dos meus três filhos, Moreno, Zeca e Tom, que participaram. Assim, quero que o prêmio passe pelas mãos de cada um deles, que o troféu fique na casa de cada um deles durante um período”, afirmou.

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