Première Brasil expõe diversidade

A grande vitrine da produção nacional traz recorde de filmes

O Estadao de S.Paulo

27 de setembro de 2007 | 00h00

Com a impressionante marca de 71 filmes, entre curtas, longas, ficções e documentários, a Première Brasil, do Festival do Rio deste ano, está alcançando um recorde de participação, como não se cansam de assinalar, todas as noites, os apresentadores das sessões de gala, seja no Cine Odeon BR ou no Palácio, ambos próximos, e situados na área conhecida como ''''Cinelândia''''. Filmes como Diário de Sintra, Mulheres - Sexo, Verdades, Mentiras, O Tablado e Maria Clara Machado e Mutum têm oferecido um retrato muito interessante da diversidade que é a marca do cinema brasileiro da Retomada, período que se inicia com Carlota Joaquina, de Carla Camurati, em 1995.Mulheres é ficção, falso documentário, docudrama ou ficção documentária? É difícil enquadrar o filme de Euclydes Marinho Barbosa numa categoria específica, porque a história da documentarista que realiza um filme sobre as mulheres e o sexo é tratada de uma maneira sui generis pelo diretor consagrado na TV. Júlia Lemmertz faz a personagem principal e o filme mescla depoimentos ficcionalizados (e representados por atrizes) com outros reais, numa mistura que talvez só o próprio Euclydes consiga identificar. As mulheres falam de tudo - orgasmo, tamanho do pênis, sexo selvagem, carinhoso -, não, às vezes, sem uma certa cafajestice quase sempre associada ao universo masculino. A platéia adorou, até porque o filme tem partes realmente engraçadas, mas é muito mais uma piada (esticada) do que outra coisa qualquer. Isso não impede que, na frágil dramaturgia do filme, Júlia Lemmertz entre em crise, já que as mulheres que ela filma expressam muitas de suas insatisfações íntimas.O Tablado, de Creuza Gravina, rende um belo tributo à mais famosa autora de teatro infantil do País, Maria Clara Machado, por meio de depoimentos de ex-alunos, como Marieta Severo e Cláudia Abreu, e de amigos como Gilberto Braga, além de apresentar cenas de montagens de suas obras consagradas. Também documentário, Diário de Sintra, que teve pré-lançamento em São Paulo, no Itaú Cultural, retrata o ato final de Glauber Rocha, em Portugal. Ele fala de vida, arte, revolução e, principalmente, de morte, como que antecipando que só voltaria para o Brasil morto. Utilizando-se de filmes domésticos, feitos por ela própria, no começo dos anos 80, a diretora Paula Gaetán, viúva do cineasta, revela um Glauber intimista como você nunca viu antes.O repórter, quando o filme passou em São Paulo, viu ecos de Andrei Tarkovski no trabalho de Paula Gaetán. Como o mestre russo, ela esculpe o tempo e exige a imersão do espectador. ''''Não havia pensado em Tarkovski, mas sou de origem russa e essa observação me tocou muito. Se você viu assim, é porque está lá'''', disse a diretora, num breve encontro com o repórter. Quanto a Mutum, Guimarães Rosa reinventado por Sandra Kogut, o filme já é um dos grandes do ano. E vai para a Mostra de São Paulo, como informou a própria Sandra.

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