Política e diversão, duas pontas da produção francesa

Philippe Lioret e Christophe Barratier e seus filmes em cartaz

Luiz Carlos Merten, O Estadao de S.Paulo

19 de junho de 2009 | 00h00

Philippe Lioret e Christophe Barratier integram a delegação de artistas franceses que visita o Brasil para promover o 2º Panorama do Cinema Francês no País. Ambos diretores, assinam respectivamente, Bem-Vindo e Faubourg 36. São casos extremos de filmes que representam a diversidade da atual produção francesa. Mais do que fenômeno artístico, Bem-Vindo virou fenômeno social e político na França. O filme conta a história desse instrutor de natação, Vincent Lindon, que, para impressionar a mulher, de quem está separado, resolve ajudar refugiado curdo que vive clandestino no país a atravessar o Canal da Mancha.Há uma lei na França que penaliza quem ajuda clandestinos. "Temos leis que protegem animais, mas punimos a solidariedade humana", diz o diretor. "É uma vergonha." Lioret bate pesado no atual presidente Nicolas Sarkozy e lembra que, como ministro do Interior, ele fez o que pôde para dificultar a vida das populações marginais que tentavam se integrar à sociedade. O filme de Lioret desencadeou um debate nacional que está levando a uma mudança da lei. O diretor quis falar do amor que impulsiona as pessoas - o instrutor como o garoto que sonha encontrar a amada na Inglaterra - e obteve toda essa repercussão. A plateia de São Paulo adorou Bem-Vindo. O filme estreia dia 10, mas você poderá assisti-lo no fim de semana.Como engenheiro de som, um dos mais reputados da França, Lioret esteve no Brasil há 21 anos, com a equipe técnica que filmava Natal da Portela, de Paulo César Saraceni. "Aqui conheci minha mulher, a mãe de meus filhos", disse ele ao público que prestigiou o debate sobre Bem-Vindo, na terça-feira. Mas ela não é brasileira e sim "uma argentina que vivia no Rio". Foi amor à primeira vista e hoje o casal possui três filhas. O cinema é uma janela aberta para a realidade, dizem os críticos. O cinema que interfere na realidade e consegue mudá-la é o sonho de alguns militantes. Philippe Lioret está conseguindo isso, mas ele não quer carregar o peso de ser o Ken Loach inglês, diretor de temas ?sociais?. A política não é um fim em si. "Ela vem através dos personagens. São eles que me interessam."Barratier fez 2 milhões de espectadores em seu país com Faubourg 36. É um número expressivo, mas nada comparável aos 9 milhões de pagantes que ele obteve com Les Choristes. Ambos os filmes são interpretados por Gérard Jugnot. "É o Zé Ninguém do cinema francês", ele explica. "Todo mundo se identifica com Gérard, com a sua humanidade", acrescenta. Faubourg 36 passa-se em Paris, nos anos 30, durante o governo da Frente Popular. A classe trabalhadora está cheia de esperança. Neste quadro, artistas desempregados ocupam um teatro para mostrar seu espetáculo. "É um filme caro, de época, que escrevi e dirigi com o maior empenho", diz o diretor. "Mas não sou considerado autor", reclama Barratier, para quem o orçamento assume, às vezes, um indesejado caráter discriminador. Serviço2.º Panorama do Cinema Francês. Hoje, 19h, Paris, de Cédric Klapisch; 21h30, Bem-Vindo, Lioret. Sáb., 20h, Horas de Verão, Assayas. Dom., 20h, Há Tanto Tempo Que Te Amo, Claudel. Reserva Cultural. Av. Paulista, 9003287-3529. 6.ª, 19h, 21h30; sáb. a 2.ª, 20h; 3.ª a 5.ª, 21h. . R$ 19. Até 25/6

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