Police doma o tempo

Diante do Maracanã lotado, 70 mil fãs em festa, grupo inglês fez o maior show do ano no Brasil - em investimento, potência sonora e número de espectadores

Jotabê Medeiros, RIO, O Estadao de S.Paulo

10 de dezembro de 2007 | 00h00

O Police derrubou os meteorologistas, que anunciavam raios, trovões e um aguacéu diluviano no Rio de Janeiro para a noite de sábado. Não caiu uma única gota de chuva e o grupo inglês fez o maior show do ano no Brasil - em tamanho, investimento e potência sonora. O som possante enchia cada recanto do Estádio do Maracanã lotado - cerca de 70 mil pessoas, segundo o cantor Sting.Calor sahariano na noite carioca. A banda entrou às 21h32 no palco do Maracanã, com Sting gastando todo seu português logo de cara. "Que saudade do Brasil", disse o vocalista e baixista. Em seguida, apresentou os companheiros, sempre em português, e perguntou à platéia: "Querem cantar? Quem canta comigo?"Cada vez que o Police entra no palco, entra algo como US$ 1,5 milhão na conta de cada um deles. É o preço que se paga para que o passado desfile como se fosse novinho em folha diante dos nossos ouvidos. O Police acaba domando o tempo climático e também o tempo histórico - mesmo quem não gosta deles tem de se dobrar à sua competência.Sting faz exigências de astro excêntrico, pede sofás desenhados pelo francês Phillippe Starck para sua suíte de hotel, pede um violonista de chorinho para inspirá-lo antes do show. Mas, na hora do pau, à frente de 70 mil pessoas num Maracanã lotado, ele rala e dá o sangue. Surge em cena com um contrabaixo elétrico totalmente esfolado, a tinta carcomida, a madeira aparecendo, e um distintivo policial estranho na correia do instrumento. Stewart Copeland, com uma faixa na cabeça, sugerindo um tenista aposentado, é o pulmão da coisa toda. Parecem querer dizer: não é para a vida toda, mas estes caras nos aguardaram durante 25 anos, então vamos mostrar que nosso nome não se propagou mundo afora por manhas do acaso, que nós fomos realmente grandes.O Maracanã estava em júbilo. Garotas de shortinho bufante dançavam em torno dos namorados, o vascaíno estava abraçado com o flamenguista, o menino de 10 anos dormia no gramado enquanto o pai grisalho (eram muitos pais grisalhos, que esperaram 25 anos por aquela noite) vigiava e dançava com um pé só. O grande templo do futebol, que anuncia em seus quatro costados que será a sede da final da Copa do Mundo de Futebol de 2014, recebia em festa uma das lendas da música.Agora, os problemas: os telões laterais não funcionaram, e a área VIP, plantada em frente do palco, tomava muito espaço para poucos, enquanto no restante do gramado os fãs faziam filas gigantescas por banheiros e cervejas. Um montão paga os privilégios de um punhado. No fim, os vendedores já estavam vendendo cervejas em lata em outros lugares do estádio, burlando a vigilância dos organizadores.Na área vip, eis o saldo final: Rodrigo Santoro e sua loura Ellen Jabour a tiracolo, Luciano "Rolex" Hulk e Angélica, Marília Gabriela, Suzana Vieira, Preta Gil, Flávia Alessandra, Thiago Lacerda, Bruno Gagliasso, Glória Pires e Orlando Moraes, Priscila Fantin, Fernanda Paes Leme, Alinne Moraes, Sérgio Marone, Giovanna Antonelli, a miss Brasil Natália Guimarães, Eliana, Daniella Cicarelli e o indefectível Alemão do BBB.

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