Polêmicas e cancelamentos marcaram seus últimos anos

Da dívida com o fisco italiano ao casamento com sua secretária, ele ocupou as manchetes com assuntos nada ligados à música

João Luiz Sampaio, O Estadao de S.Paulo

07 de setembro de 2006 | 00h00

Em maio de 2002, o diretor-geral do Metropolitan Opera House de Nova York, Joseph Volpe, subiu ao palco do teatro para comunicar ao público que o tenor Luciano Pavarotti não cantaria naquela que seria sua despedida do mundo da ópera. ''''Recebemos há pouco uma ligação informando que ele está gripado e que não poderá cantar. Pedi a ele que viesse pessoalmente explicar a vocês sua ausência, mas ele se recusou.'''' O cancelamento de última hora seria apenas mais um dentre muitos os episódios polêmicos que marcaram os seus últimos anos de carreira.Polêmicas, na verdade, nunca faltaram na vida de Pavarotti. A primeira delas surgiu no fim dos anos 70, quando ele e o colega espanhol Plácido Domingo brigavam pelo título de ''''o maior tenor'''' da época. Em setembro de 1979, a revista Time dedicou sua capa a Pavarotti, chamando-o de ''''O tenor de ouro da ópera''''; semanas depois, a Newsweek estamparia a foto de Domingo em sua capa, com a manchete ''''O Rei da Ópera''''. Exigências de cachês e regalias similares, a pressão pelas melhores récitas e produções e a troca de insultos entre fãs foram durante muito tempo os ingredientes da rivalidade entre os dois - defensores do espanhol exaltavam seu talento de ator; os do italiano, questionavam a ausência, em Domingo, dos agudos que fizeram a fama de Pavarotti. E assim por diante.A disputa chegaria ao fim com a reunião dos dois, mais José Carreras, para o concerto dos Três Tenores. Certo? Não exatamente. Herbert Breslin, então empresário de Pavarotti, lembra em sua biografia, The King and I, que um contrato feito às escondidas com a gravadora Decca garantiu a Pavarotti um cachê pelo menos meio milhão maior que o oferecido a Domingo e Carreras, que teriam condicionado uma nova reunião do grupo a uma equiparação nos cachês. ''''Os concertos dos Três Tenores eram amigáveis na superfície, mas a atmosfera nos bastidores não era exatamente de confiança'''', escreveu.O livro de Breslin joga luz sobre algumas outras polêmicas que marcaram os últimos anos profissionais de Pavarotti. Em maio de 2000, ele se encontrou com o ministro das finanças italiano para assumir uma dívida de cerca de US$ 12 milhões em impostos não pagos. Pouco antes, ele já havia ocupado as manchetes ao assumir o relacionamento com sua secretária Nicoletta Mantovani, 34 anos mais nova, pedindo divórcio da mulher Adua e casando-se novamente. A quem o indagasse sobre essas questões, no entanto, Pavarotti tinha uma só resposta: meu amor pela música é maior do que tudo.

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