Planta como símbolo de uma classe estéril e vazia

O aspirante a poeta Gordon Comstock larga um emprego bacana numa agência de publicidade para ser vendedor de uma livraria pequena, o que lhe daria tempo para escrever. Ele até conquista algum sucesso com sua produção poética, mas isso não evita a penúria que condena o personagem de George Orwell a uma existência solitária e depauperada. Rebela-se, então, contra a onipotência do dinheiro, à qual atribui suas desilusões amorosas e seu desprestígio social, e escolhe a aspidistra, planta comum nos lares modestos da Inglaterra, como símbolo de uma decência a um só tempo estéril e vazia da classe média baixa, condição que o horroriza. E, assim, Orwell expõe as chagas de uma sociedade desigual.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.